Tereis Dias Melhores no Verão

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista contra a surdez e a favor da surdina... no trompete e no trombone

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 09/12/2020
Horário 05:30

Sou otimista e esperançoso e, por isso, acho que teremos dias melhores no verão, estação que, por falar nisso, começa no próximo dia 21, às vésperas do Natal, e termina no dia 20 de março de 2021. Parece que o coronavírus não gosta de álcool e de dias quentes, comuns no verão.
Por falar no verão, conto uma historinha que fala de dias e noites com altas temperaturas, que deixaram todo mundo doido em uma cidadezinha. Naquele verão, a cidade de Xiririca da Serra, que fica lá onde o Judas perdeu as botas e outros calçados, foi assolada por uma onda de calor insuportável. 
Ou um calor senegalesco, como diziam os locutores de antanho e aproveito para dizer que adoro a palavra antanho, mesmo estando hoje completamente em desuso.
A temperatura batia fácil nos 40 graus e olhe que Xiririca fica na serra. Quentura braba, quentura de quentão. "É um calor do cão. Parece a caldeira do diabo", disse um morador.
Para alegria da Luiza Trajano, que ainda vai vender geladeira para esquimó, e dos herdeiros do Samuel Klein, foram vendidos todos os estoques de ventiladores e de aparelhos de ar-condicionado nas lojas dos grupos. Quem não conseguiu comprar se apavorou. "Acabou tudo. Não temos nenhum ventilador e ar-condicionado muito menos", explicou um vendedor.
Sorvete, então, nem se fala. A população também ficou sem sorvete. As sorveterias e os supermercados venderam todos os estoques de sorvete. Teve até sorveteria que, sem sorvete, cancelou o atendimento aos fregueses. 
"Não tem algum picolé da Kibon?", perguntou uma garota ao sorveteiro. Ele aproveitou para fazer gracinha e emendou na resposta: "Não tem nem Kiruim". Desesperada, a jovem se lançou pelada no lago no centro da cidade. A rapaziada em volta adorou. A festa acabou quando um guarda municipal providenciou uma toalha para cobrir a moça. O policial foi mais vaiado do que certos políticos e ministros em aviões, porque a toalha cobriu o "principal".
Outro morador da cidade, o Fialho, também ficou nu quando caiu um toró. Ele tirou a roupa, uma bermuda e uma camiseta que usava havia uma semana, e foi para o quintal se refrescar debaixo da chuva ou, para deixar isto mais poético, para se refrescar com a água que caía do céu. Só que entrou bem, assim como o eleitorado brasileiro no último pleito.
Fialho quis imitar o ator Gene Kelly no antológico filme "Cantando na Chuva". Levou o maior tombo quando começou a cantar o primeiro verso "I´m singin and dancing in the rain".  Caiu porque o piso estava liso. Machucou o cotovelo.
Depois de passar na farmácia, Fialho viajou para uma cidade perto de Xiririca da Serra. Lá também o calor estava mais quente do que a política brasileira. Mas a sorte estava do seu lado. 
Encontrou uma sorveteria aberta. "Só temos sorvete de maracujá", avisou o atendente. "Então, traga logo meio quilo", ordenou. Surpreso, o homem ponderou que maracujá em excesso causa sonolência. Ao que Fialho respondeu: "Eu preciso me acalmar". Ah, sim: gostaram do "tereis" no título?

DROPS

O Biden está preocupadíssimo porque, até agora, não foi reconhecido por aquele longínquo país sul-americano. Nem consegue dormir direito o presidente eleito dos EUA.

Quando a esmola é demais, o santo agradece.

A verdade só não vem à tona se for afogada.

Os tempos são bicudos. Os tucanos também.
 

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