Trabalhadora rural que virou top model

Jovem brasileira criava porcos e capinava terra, até brilhar nas passarelas da Dolce &Gabbana, na Itália, posar para campanhas como da Água de Coco, Schutz, Colcci, Pantene, e desfilar para Ellus, Osklen, Animale e Reinaldo Lourenço

Personagem -

Data 13/12/2020
Horário 07:00
Foto: WAY e Catarino
Aos 23 anos, Natália coleciona importantes trabalhos: já desfilou na semana de moda de Milão, para a poderosa grife italiana Dolce & Gabbana,
Aos 23 anos, Natália coleciona importantes trabalhos: já desfilou na semana de moda de Milão, para a poderosa grife italiana Dolce & Gabbana,

Natália Machado (@nataliamachadomm) sonhava com as passarelas desde criança, quando levava uma vida tipicamente camponesa. Nascida e criada na fazenda, seguiu por anos uma rotina que começava cedo, cuidando de porcos, galinhas e vacas, capinando a terra e cultivando hortaliças e legumes.

Junto com os pais, plantava e colhia os alimentos para consumo da família e para pequena venda local. "Desde sempre cultivamos o que comer. Eu capinava, plantava e colhia alface, tomate, mandioca, arroz... tudo o que a terra dá! Pescava, fazia queijo - coalhando o leite que tirávamos das vacas, fazendo todo o processo que aprendi com meus pais", relembra a jovem.

Em meio à natureza e aos animais, a vida rural em Abadia dos Dourados - município com pouco mais de 7 mil habitantes,  começava cedo: "iniciava os trabalhos com meu pai, em torno de 4h30 da manhã, para tirar o leite das vacas. O trabalho era pesado, mas pra mim, era habitual. Eu faria o que fosse necessário para poder ajudar em casa. Depois, ia para escola, onde passava o resto da manhã, e à tarde voltava a ajudar nos afazeres da fazenda", diz Natália, recordando os 20 km (quilômetros) de estrada de terra que separavam a casa da escola.

 A vida remota era um empecilho para buscar mais informações sobre a tão sonhada carreira nas passarelas. "Muitos falavam que eu deveria ser modelo, mas a vida era simples e eu morava afastada. Subia num morro pra poder telefonar! Não tinha internet, nem redes sociais. O acesso à informação era difícil e eu não sabia como poderia ir a busca. Colocava o salto da minha mãe e ficava me imaginando na passarela", conta.

 

Na cidade a oportunidade chegou!

Ao terminar a escola ela então se mudou para uma cidade grande. Começou a fazer cursinho pré-vestibular, em Uberlândia (MG), mas o sonho de trabalhar como modelo ainda falava alto dentro de seu coração. Ela passou a se informar, seguir as agências, e foi então que, em 2016, a WAY Model a viu. Logo recebeu um convite para fazer uma avaliação com eles, em São Paulo, então resolveu tentar. Era seu sonho, queria ver se algo acontecia. “Tive a ajuda de pessoas muito especiais nesse caminho, como uma família de minha cidade, os Diniz, a quem sou muito grata. Viajei para São Paulo, e deu certo, fui aprovada, me acolheram e foi assim que tudo começou. Estou muito feliz e grata, porque meu sonho está se realizando", emociona-se a jovem, que hoje figura entre as apostas de Anderson Baumgartner, responsável pela carreira de tops como Sasha Meneghel, Carol Trentini e Alessandra Ambrosio.

Aos 23 anos, Natália coleciona importantes trabalhos: já desfilou na semana de moda de Milão, para a poderosa grife italiana Dolce & Gabbana, posou para campanhas de outras como a Água de Coco, Schutz, Colcci e Pantene, e tornou-se uma requisitada modelo no Brasil para desfiles da Ellus, Osklen, Animale e Reinaldo Lourenço.

"Sempre carregarei comigo as raízes da fazenda, o respeito à natureza, o pé na terra. Sempre que volto 'pro mato', recarrego as energias. Me conecto com a calma, o natural e o orgânico", frisa a bela, que emociona-se ao folhear algumas das mais prestigiadas publicações do mundo - como Vogue, Harper's Bazaar, L'Officiel, Marie Claire e Glamour - que compõem o currículo da expoente modelo brasileira.

"SEMPRE CARREGAREI COMIGO AS RAÍZES DA FAZENDA, O RESPEITO À NATUREZA, O PÉ NA TERRA. SEMPRE QUE VOLTO 'PRO MATO', RECARREGO AS ENERGIAS”

 

Fotos: WAY e Catarino

 "iniciava cedo os trabalhos com meu pai, em torno de 4h30 da manhã, para tirar o leite das vacas. O trabalho era pesado, mas pra mim, era habitual"

 

 

"Desde sempre cultivamos o que comer. Eu capinava, plantava e colhia alface, tomate, mandioca, arroz... tudo o que a terra dá! ", diz Natalía

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