As rodovias do oeste paulista estão se transformando, perigosamente, em pistas de irresponsabilidade. Em apenas três dias, entre sábado e esta segunda-feira, cerca de 650 infrações por excesso de velocidade foram registradas pela Polícia Militar Rodoviária. O número, por si só alarmante, torna-se ainda mais chocante diante dos picos de imprudência: veículos flagrados a 180 km/h e 191 km/h em uma via pública. Não se trata de descuido, mas de uma escolha consciente pelo risco: próprio e alheio.
A advertência da Polícia Militar Rodoviária é clara e precisa: “velocidade e segurança são escolhas opostas”. A física não perdoa a arrogância humana. Nessas velocidades extremas, o tempo de reação do condutor praticamente desaparece e a distância de frenagem se multiplica, convertendo o automóvel em um projétil. Qualquer imprevisto, seja um animal na pista, um veículo à frente, um buraco, pode resultar em tragédia irreversível.
Os flagrantes ocorreram na Rodovia Raposo Tavares (SP-270), em trechos de Santo Anastácio e Piquerobi, mostrando que o problema não está restrito a um ponto isolado, mas reflete um comportamento recorrente. O excesso de velocidade não é apenas uma infração administrativa; é um ato de negligência social. Quem acelera dessa forma ignora que divide a estrada com famílias, trabalhadores, idosos e crianças, pessoas que nada têm a ver com a pressa ou a imprudência de terceiros.
É preciso dizer, sem rodeios: não existe “habilidade” que compense a imprudência. O discurso de que “o motorista sabe o que está fazendo” cai por terra diante das estatísticas de acidentes fatais. A rodovia não é autódromo, e a pressa nunca justificará a perda de vidas.
Mais do que fiscalização, que é necessária e deve ser rigorosa, o cenário exige consciência coletiva. Respeitar os limites de velocidade é respeitar a vida. Cada motorista que reduz o pé no acelerador contribui para que menos sirenes ecoem nas estradas e menos famílias sejam dilaceradas pela dor.
A estrada cobra caro dos irresponsáveis. E, quase sempre, a conta não vem só para quem erra.