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Vicentini Gomez: alucinado pela arte

Natural de Prudente, o artista multimídia já atuou em mais de 30 peças de teatro, em mais de 30 telenovelas e em mais de 20 filmes como ator e em outras funções

PRUDENTE - Homéro Ferreira

Data 03/05/2020
Horário 08:35
Cedida - Vicentini Gomez: 43 anos dedicados à arte Foto: Cedida - Vicentini Gomez: 43 anos dedicados à arte

Em um sobrado de madeira, entre a Vila Marcondes e o centro de Presidente Prudente, e aos cuidados de parteira, Wilson Gomes Vicentini nasceu em 26 de fevereiro de 1957. Lá se vão mais de 63 anos, dos quais 43 dedicados à arte no teatro, na televisão e no cinema, com o nome artístico de Vicentini Gomez; assim com o z no lugar do s. Assumido como alucinado pela arte, já se apresentou nos principais teatros de todas as capitais brasileiras e em 15 países da América do Sul e da Europa.

É detentor de vários prêmios em diferentes funções, na condição de artista multimídia, tais como ator, mímico, diretor de cinema, roteirista e escritor. Sua atuação em teatro ultrapassa a 30 peças. Telenovelas também são mais de 30. Os filmes passam de 20. Está com três projetos aprovados pela Ancine (Agência Nacional de Cinema) para captação de recursos. Está produzindo um longa-metragem. Tem livro em fase de edição e aguarda passar a quarentena para atuar em comédia de Lauro César Muniz.

É conhecido do grande público pela televisão, mais recentemente como o italiano Giuseppe Cavichioli, da novela Cúmplices de um Resgate; o delegado Cavalcante, em Joia Rara, prêmio Emmmy de melhor telenovela mundial em 2014; e o sequestrador atrapalhado de Carminha na Avenida Brasil, o maior sucesso da Globo na última década, exibida em 2012, vendida para mais de 120 países e recém-levada ao ar no estilo vale a pena ver de novo.

Personagem desta reportagem especial de O Imparcial, que a partir de agora adota um texto mais enxuto e abre espaços para fotos de diferentes momentos, Vicentini teve seu interesse despertado para a arte no Colégio Londrinense, em 1964, aos sete anos de idade, em uma encenação teatral sobre a Páscoa. Até o ano anterior tinha morado em fazendas, por causa do pai agricultor que foi para a região de Londrina (PR). Em 1995, Vicentini veio estudar em Prudente e ficou hospedado na casa dos tios Davi e Ana.

De volta ao Paraná, no seguinte fez o 3º ano primário e foi até o ginasial em Peabiru (PR). O colegial foi em Alumíno (SP). Cursou dois anos em Mogi das Cruzes (SP). Fez curso de artes cênicas no Piccolo Teatro, em São Paulo, com o italiano Giustino Marzano, formado pela Academia de Teatro de Roma. Fez  cursos na Inglaterra, Itália e Espanha.  Entre outros envolvimentos culturais, Vicentini é membro da UBE (União Brasileira de Escritores).

Sua origem vem de avós paternos de nacionalidades italiana e húngara, Santo Vicentini e Rosa Crisma; os avós maternos brasileiros, Epaminodas José Gomes e Antonia Carvalho Gomes. Sei pai José Vicentini era de uma família de agricultores, plantadores de algodão, amendoim e hortelã. Ao trocar a roça pelo emprego em máquina beneficiadora de arroz de Isaac Melem, conheceu Apparecida Gomes, que trabalhava na casa do proprietário. Casaram-se em 1955, na então igreja (atualmente santuário) Nossa Senhora Aparecida, onde o primogênito Vicentini foi batizado, na Vila Marcondes.

Dos seus cinco irmãos, Roberto faleceu, Júlio foi jogador de futebol e hoje é tecnólogo, Rosa Maria é do ramo da alimentação, Célia é professora e Rita de Cássia é funcionária pública. Assim que Vicentini nasceu, seu pai adquiriu terras no Paraná, nas quais derrubou a mata para criar gado e cultivar algodão, amendoim e, principalmente hortelã. Da sua infância em Prudente, ficaram as lembranças das brincadeiras no buracão, onde hoje está o Mercado Municipal.

LEMBRANÇAS

ROMÂNTICAS

Guarda imagens que as classifica como românticas, mesmo tendo morado pouco em Prudente, cidade pela qual mantém encantamento relacionado à beleza arquitetônica e à limpeza. Gosta das casas de madeira e dos espaços culturais, notadamente do Centro Cultural Matarazzo e do Salão de Eventos do IBC; no que elogia o idealizador Fábio Nougueira, enquanto secretário municipal de Cultura. Elogio de quem vive as dificuldades do setor cultural, cujas atividades não são apenas glamour, mas empenho, conhecimento, estudos permanentes, muitas noites em claro e boas relações.

Da juventude ficou um sentimento sofrido, do tipo que arde na alma, e só agora manifestado à reportagem de O Imparcial. Por fazer parte da classe artística foi perseguido pelo regime militar, algemado, preso, agredido e ameaçado de ser torturado, vendo colegas sofrendo torturas. Lamenta que represálias perdurem nos dias atuais, mediante os cortes de verbas para a educação e a cultura. Torce para que nunca mais volte o regime militar, para que outras pessoas não fiquem com o cérebro gritando lembranças tortuosas e doloridas; inclusive seu filho Pedro Paulo Vicentini, também ator.

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