Você não falhou. O problema é tratar obesidade como se fosse só perder peso

OPINIÃO - Osmar Marchioto Jr.

Data 04/02/2026
Horário 04:30

Muitas vezes, obesidade é tratada como se fosse apenas uma questão de peso. E peso é um número. Obesidade não é um número. Obesidade é uma doença.
Você já tentou emagrecer? Provavelmente sim. E se conseguiu, talvez tenha percebido algo frustrante: manter o peso é mais difícil do que perdê-lo. Os quilos voltam. Os hábitos antigos ressurgem. A motivação do início se dilui no meio do caminho. E você se pergunta: onde errei?
A verdade é que você não errou. O que acontece é que obesidade é uma doença crônica. E doenças crônicas não se resolvem com uma solução pontual. Elas exigem gestão contínua, acompanhamento e ajustes constantes ao longo do tempo.
Pense no diabetes ou na hipertensão. Ninguém espera que o paciente tome um remédio por três meses e esteja curado para sempre. O tratamento é contínuo porque a condição é contínua. Com a obesidade deveria ser igual.
Obesidade envolve genética, metabolismo, comportamento, ambiente e emoções. É uma teia complexa de fatores que não se desfaz de uma hora para outra. Mudar hábitos alimentares, incluir atividade física na rotina, lidar com ansiedade sem recorrer à comida, tudo isso exige tempo. 
É aqui que o acompanhamento longitudinal faz toda a diferença. Não estou falando de orientações que você recebe e fica sozinho até o próximo encontro. Estou falando de um cuidado contínuo, onde há espaço para dúvidas, para ajustes, para suporte quando as coisas não saem como planejado.
Você vai enfrentar momentos de estresse, vai ter aquele jantar de família, vai passar por uma semana difícil no trabalho. É justamente nesses momentos que você precisa de orientação. É quando surge a dúvida, quando aparece o obstáculo, quando o corpo responde de forma inesperada, que o acompanhamento próximo se torna essencial.
Estudos científicos confirmam: intervenções de longo prazo, com monitoramento, têm resultados significativamente melhores. Não por mágica. Mas porque sustentam o paciente durante o processo de mudança. Porque oferecem tempo para que novos hábitos se consolidem.
Mudar comportamento é um processo gradual. É aprender a comer de forma diferente em um mundo onde tudo convida ao excesso. É encontrar espaço para movimento em uma rotina já apertada. Nada disso acontece em um único momento. Acontece dia após dia, com pequenas decisões que, somadas, transformam.
E você não precisa fazer isso sozinho. Quando há acompanhamento próximo, você tem com quem compartilhar suas dificuldades, celebrar suas conquistas e ajustar a rota quando necessário. O tratamento deixa de ser um peso solitário e se torna uma parceria.
Se você está buscando tratar obesidade, procure por isso: um tratamento que reconheça a complexidade da doença e ofereça suporte contínuo. Pergunte como será o acompanhamento. Com que frequência haverá contato. Se existe espaço para ajustes ao longo do processo.
Porque obesidade não é um número na balança. É uma doença crônica que merece ser tratada com a seriedade, o tempo e o cuidado que ela exige.
 

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