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Geriatra orienta sobre cuidados com idosos na quarentena

Médico explica que a teimosia do público em sair de casa neste período faz parte de uma característica inerente ao envelhecimento e que existem estratégias simples para superá-la

PRUDENTE - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 31/03/2020
Horário 09:18
Cedida - José Eduardo Pinheiro afirma que é o momento de parentes ligarem mais aos idosos Foto: Cedida - José Eduardo Pinheiro afirma que é o momento de parentes ligarem mais aos idosos

Isolamento social não é prisão e os idosos, na certa, são os principais afetados neste momento, já que compõem o principal grupo de risco à infecção do novo coronavírus. A recorrente teimosia de alguns integrantes do grupo, que insistem em sair à rua, visitar colegas, parentes, ir ao mercado, entre outras formas de contato, devem ser creditadas, de acordo com o médico geriatra José Eduardo Soares Pinheiro, a uma característica do envelhecer. “Muitos idosos desenvolvem uma inflexibilidade de ideias, uma sabedoria própria e cristalizada”, aponta.

Claro que a teimosia não é geral e mesmo para os que a tem, há maneiras corretas de contorná-la. A primeira, explica José Eduardo, é a oferta de informação a esses idosos. “Vizinhos, parentes, precisam informá-los da gravidade do problema, visto que eles não recebem o mesmo turbilhão de informações que os mais jovens, já que não estão ligados às mídias sociais com frequência”, explica.

Outra questão fundamental é a disponibilidade das mesmas pessoas em fazer algumas atividades para o idoso, como compras, pagamentos, recebimentos, visto que as necessidades continuam a existir e o idoso, se vendo desamparado, irá ele próprio resolver. “Que as pessoas com vínculo façam por ele, e que tenha os devidos cuidados. Não adianta ir fazer uma compra e voltar com o novo coronavírus, só deve entrar no ambiente do idoso depois de um banho, da desinfecção, estes exemplos práticos serão incorporados pelo idoso também”, salienta o geriatra.

Enfim, e talvez o mais importante, de acordo com o médico, é estimular o idoso, de forma que o momento de isolamento não seja apenas de morosidade. É a hora dele se organizar, de passear pelo velho álbum de fotografias, cuidar das plantas, do animal de estimação. A questão emocional também deve ser levada em conta. “É momento dos filhos e netos ligarem mais e por mais tempo, de utilizar as mídias sociais para estar em contato com o idoso, passar mensagens positivas. O confinamento não pode ser uma clausura, o momento é de estimular”, orienta.

CONTRA A

TEIMOSIA

Com um dos decretos municipais que endureceu as formas de combate ao Covid-19 em Presidente Prudente, uma das afetadas foi a assessora de gabinete da Prefeitura de Presidente Prudente, Maria Dolores Gomes, de 68 anos. Há 27 anos trabalhando na mesma função, a idosa é muito ativa e sente falta de seu trabalho, visto que lidava com pessoas todo o tempo. Ela precisou afastar-se temporariamente de suas atribuições até que a ameaça do novo coronavírus tenha fim.

Doleres, no entanto, tem consciência da importância de manter-se em casa, ainda que a ansiedade precise ser muito bem controlada. “Além de realizar algumas funções do meu trabalho de casa, leio, assisto televisão, me mantenho informada sobre o que tem causado o vírus”.

A vontade de passear, ir à casa dos filhos, ela afirma, é grande, mas a consciência do risco é ainda maior. “Tem que ter disciplina, temos que pensar nos outros, ter cuidado”, salienta, enquanto torce para que a situação retorne brevemente à normalidade.

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