Prudentina relata xenofobia na Mongólia

Ataques na rede social começaram após confirmação de coronavírus em estrangeiro, o que a deixou com medo

PRUDENTE - ROBERTO KAWASAKI

Data 29/03/2020
Horário 08:49
Cedida - Milena teve receio de sair de casa para ir ao supermercado Foto: Cedida - Milena teve receio de sair de casa para ir ao supermercado

“Depois que tudo isso começou, passei a receber mensagens de ódio, de pessoas me mandando sair do país”. Essa é a afirmação de Milena Fernandes Mendes, 28 anos, jornalista de Presidente Prudente que reside em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. O ataque xenofóbico surgiu após a confirmação do primeiro caso do vírus no país, que testou positivo para um francês. “Existe um histórico de racismo contra estrangeiros aqui [xenofobia], e acusam o governo de terem esperado por um estrangeiro ser contaminado para, só então, confirmar o caso”, afirma.

Localizada na Ásia Oriental, a Mongólia faz fronteira com a China – epicentro do Covid-19, o novo coronavírus. Devido à proximidade entre as nações, a vulnerabilidade em ser contaminado é ainda maior. De acordo com a jornalista, depois de confirmado o primeiro registro, o homem foi colocado em quarentena, onde seguiu em tratamento. Outras 200 pessoas que estiveram com ele testaram negativo para a contaminação.

“Na mesma terça, fui ao médico para checar se eu estava bem. Por precaução médica, recebi comando de ficar em quarentena o máximo possível em casa”, lembra a jornalista. Após sofrer ataques no Facebook, ficou com receio de sair de casa. Quase uma semana depois, conseguiu ir ao supermercado, porém, tomando algumas precauções: óculos de sol e máscara no rosto, escolha não apenas para prevenir o vírus, mas para não ser identificada. “Estava vivendo um medo muito grande, algo que não tinha vivido”, lamenta.

“VOLTANDO

AO NORMAL”

Devido ao vírus, na Mongólia também houve mudança na rotina. No final de janeiro, a fronteira com a China foi fechada devido ao fluxo de visitantes em celebração ao Ano Novo Lunar Chinês. Inclusive, no Centro de Língua Inglesa de uma universidade, onde a jornalista trabalha, houve mudança de rotina.

Até o final da semana passada, a cidade estava sem movimento de pessoas e veículos. “Mas algumas coisas estão voltando ao normal, as lojas de comércio reabriram, e já se vê maior movimentação nas ruas”, observa Milena.

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