Vítimas de Saudades  viram arte em grafite

Professora Keli e a auxiliar Mirla são lembradas pelos artistas professor Itamar Xavier, idealizador do projeto Escola em Cor e João Célio, um dos convidados das várias ações desenvolvidas

VARIEDADES - OSLAINE SILVA

Data 18/06/2021
Horário 04:45
“Que essa arte da Mirla nos possibilite aprender a valorizar a vida, e nos ajude a refletir sobre o valor dela”, deseja o prof. Itamar
“Que essa arte da Mirla nos possibilite aprender a valorizar a vida, e nos ajude a refletir sobre o valor dela”, deseja o prof. Itamar

Escola em Cor. Um projeto que nasceu com o objetivo de revitalizar escolas, acabou fomentando a arte do grafite e tocando em questões relevantes dos mais variados assuntos. Há algumas semanas, o idealizador deste, professor Itamar Xavier de Camargo e outros artistas pintaram nos muros da Ee Escola Mirella Pesce Desidere, em Presidente Prudente alguns desenhos. E então ele sugeriu que retratassem as vítimas do caso trágico, que comoveu todo o país no ataque à escola infantil Pró-Infância Aquarela, no dia 4 de maio, em Saudades, em Santa Catarina (SC)  que acabou com cinco inocentes perdendo suas vidas. “O João Célio fez a professora [Keli] e eu a auxiliar [Mirla Renner], que também foi outra vítima fatal. Ele teve um retorno bem bacana da família da professora e isso é muito legal”, expõe o prof. Itamar que há anos desenvolve diversos trabalhos de fomento à cultura, arte, educação e cidadania.
Ele explica que a participação dos artistas nas ações deste projeto acontece por meio de convite. Às vezes o artista pode ser da região, de São Paulo, de outro Estado. “Vai depender das nossas possibilidades de poder pagar passagem para esse artista vir. O Fake Frazão, por exemplo, é de São Paulo, o Dino, o Joka e a Fran são de Pirapozinho e o Índio e o João Célio são de Prudente”, comenta.

Visibilidade da arte

O professor Itamar diz que vê o grafite, principalmente em Prudente, que por muito tempo pouco foi feito na própria cidade. Por toda a dificuldade que o grafiteiro, que o artista que aqui passa para ter essa visibilidade, essa possibilidade de mostrar mais a sua obra em projetos como este e outros que vem acontecendo no município para fomentar o grafite isso motiva o artista a continuar produzindo sua arte para que ele possa talvez até ganhar a vida através desse trabalho.
“Então vejo isso como uma motivação mesmo para ele continuar trabalhando. E esse é o objetivo maior desse projeto e de todo meu trabalho desde o início. Fomentar o grafite em Prudente e leva-lo para o Brasil afora, mundo afora, atravessando fronteiras fazendo nossos artistas serem reconhecidos nacionalmente e porque não mundialmente. Já fizemos várias escolas em Prudente, na região e até no Rio de Janeiro. A Seduc (Secretaria Municipal de Educação) me procurou para fazer outras quatro escolas, Presidente Bernardes, tem uma também. Outra, no Rio. Então temos trabalhos para o resto do fim do ano”, alegra-se o professor Itamar

Reconhecimento feliz

“A Keli foi uma verdadeira heroína, e é assim que ela vai ser lembrada”. Esta é uma das frases que o jovem artista visual prudentino, João Célio, recebeu após publicar em sua página no Instagram o desenho que grafitou da professora Keli Adriane Aniecevski, 30 anos, que perdeu a sua vida tragicamente no atentado terrível em Saudades.
“Foram muitas as manifestações. O trabalho repercutiu na cidade dela toda. Os familiares e amigos dela me mandaram várias mensagens. Me sinto extremamente grato e honrado por ter a oportunidade como artista de homenagear uma heroína como a Keli. Além disso, fico muito feliz por ver meu trabalho ultrapassando barreiras de Estados, chegando a Santa Catarina e principalmente tocando as pessoas que a amavam”, ressalta o artista prudentino que resolveu homenageá-la pelo impacto que seu assassinato teve em todo o país com as notícias perturbadoras que toda a sociedade pode acompanhar pelas mídias.
“Ela precisava virar arte e num lugar que representará para sempre a imagem do que ela amava”, acrescenta João Célio.

 

Foto: Cedida - “A Keli precisava virar arte e num lugar que representará para sempre a imagem do que ela amava”, diz João Célio

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