7 advogados são presos na região de Prudente

Ação conjunta da Polícia Civil e Ministério Público apontou que os suspeitos estariam colaborando com o crime organizado

REGIÃO - BRUNO SAIA

Data 23/11/2016
Horário 07:00
 

Sete advogados foram detidos, ontem, em uma operação especial conjunta da Polícia Civil e do MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), denominada Ethos, por suspeita de ligação com uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas. Juliana Claudina dos Santos Cottini, Fábio Moreno de Paula, Paulo Roberto Penha, Antonio Davi de Lara e Simone de Araújo Alonso foram presos em Presidente Prudente. Paulo Sérgio Ramalho de Oliveira foi detido em Presidente Venceslau, e Elton Rodrigo Martins Betim, em Estrela do Norte. O último, além da detenção por conta do mandado expedido, também foi alvo de flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

Jornal O Imparcial Após prestarem depoimentos, advogados seguiram para penitenciárias

De acordo com informações da Polícia Civil e do MP-SP, todos são suspeitos de contribuir com a facção que age dentro e fora das penitenciárias do Estado de São Paulo e também em unidades de todo o país. Além dos sete presos na região, a Policia Civil informa que um mandado de prisão também foi expedido contra a advogada Juliana de Araújo Alonso Mirandola, de Prudente, que até o fim da tarde de ontem era considerada foragida.

Todos os advogados mencionados foram procurados pela reportagem de O Imparcial, por meio dos contatos disponibilizados junto ao Cadastro Nacional dos Advogados da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e apenas os representantes de Fábio Moreno de Paula informaram que, por enquanto, nada têm a declarar.

Os detidos do sexo masculino foram encaminhados para a Penitenciária I de Venceslau e as mulheres foram levadas à Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. Todos foram presos em cumprimento de mandados de prisão temporária, de até cinco dias. Antes, o localizados em Prudente foram levados para a DIG (Delegacia de Investigações Gerais). Além disso, em suas residências foram apreendidos computadores e documentos, também foram encaminhados para a DIG e, em seguida, levados à CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Venceslau, onde serão analisados.

 

"Sintonia dos Gravatas"


Em nota conjunta, a Polícia Civil e o MP-SP informam que a Operação Ethos, realizada em todo o Estado, teve a finalidade de desarticular célula criminosa da facção, denominada "R", que, de acordo com o órgão, é composta por 40 advogados, sob controle de presos vinculados à organização e que já foi denominada "sintonia dos gravatas".

Durante a ação, foram cumpridos 34 mandados de prisão, no total, além de quatro detenções realizadas em flagrante. Os trabalhos foram realizados por 703 policiais civis e membros do MP-SP (159 delegados de polícia; 459 civis e 65 promotores de Justiça e 167 viaturas da Polícia Civil).

A investigação policial começou há um ano e meio e identificou 55 pessoas, das quais 41 estavam em liberdade e, conforme os órgãos responsáveis pela operação, contribuíam para a prática criminosa vinculada à organização.

Outros 14 pessoas, componentes do grupo, estão presas no sistema penitenciário paulista, consideradas pelos demais como líderes da facção.

Entre os crimes imputados está o pagamento de propina, em nome da organização, a representantes de órgãos civis. É o caso do vice-presidente do Condepe (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana), Luiz Carlos dos Santos, que também foi preso ontem, depois que as investigações apuraram que ele teria sido cooptado pela célula "R" e recebido R$ 130 mil, com a finalidade de desestabilizar a segurança pública do Estado, supostamente por meio de "falsas denúncias" perante organismos de Proteção dos Direitos Humanos.

O órgão foi contatado pela reportagem de O Imparcial, mas não havia se posicionado até o final da tarde de ontem.

 

 

(((SAIBA MAIS)))

A prisão dos advogados em Presidente Prudente, Presidente Venceslau e Estrela do Norte foi acompanhada por representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), para evitar abusos aos direitos dos profissionais, mas também com o propósito de a entidade verificar a conduta de seus integrantes. "A convite da Polícia Civil e do Ministério Público, a OAB acompanhou a operação a fim de resguardar os direitos e prerrogativas dos advogados e, ao mesmo tempo, será instaurado um processo disciplinar, pela Comissão de Ética e Disciplina, para apurar o procedimento dos detidos", explica o coordenador regional dos direitos e prerrogativas dos advogados, Emerson Longhi.

 

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