APPA realiza projetos de prevenção à aids

Conforme a associação com sede em Prudente, atualmente não existem grupos de risco, mas, sim, comportamentos de risco

PRUDENTE - Oslaine Silva

Data 31/07/2014
Horário 09:25

 


O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV e Aids (Unaids) revelou, recentemente, em um relatório, que as infecções por HIV aumentaram 11% no Brasil, em 8 anos. O documento ainda expõe que um terço dos novos infectados são jovens, com idades entre 15 e 24 anos. Em função desta informação, Carla Viana, 36, assistente social da APPA (Associação Prudentina de Prevenção à Aids), divulga os trabalhos de prevenção que a entidade realiza contra a doença. Segundo ela, o estudo é importante e merece os seguintes questionamentos sobre este dado: "Será que o mesmo se dá pelo fato destes jovens não terem vivenciado a crise na década de 80? Ou por que o assunto já se tornou corriqueiro e eles, por imaginarem que são dotados de muita informação, esquecem das medidas de prevenção e saúde?".

Com foco neste contexto, ela destaca os serviços que a entidade realiza e pontua que, atualmente, não se pode acentuar grupos de risco, visto que o que existe é comportamento de risco. Ela afirma que a atitude de cada um é o maior grau de exposição quanto à contaminação do HIV. E, desta forma, a identificação do grau de vulnerabilidade para esses indivíduos ou grupos passou a ser fundamental ao planejamento e definição das estratégias de prevenção.

"Se refletirmos quanto às ações de adolescentes e jovens é possível perceber que esta faixa etária apresenta suas vulnerabilidades com maior ênfase que as demais, por suas características próprias e pela inexperiência da vida", frisa a profissional. A assistente social ainda diz que é preciso ressaltar que alguns jovens estão sim, mais vulneráveis em função das suas vivências familiares e sociais, como pobreza, desemprego, baixa escolaridade e violência.

 

Projetos


Com abordagens lúdicas que possibilitam a conscientização de grupos multiplicadores no cotidiano, a profissional diz que a APPA conta com dois projetos de ações de assistência social à criança e ao adolescente: o "Abrindo Caminhos", que desde 2005, atende crianças da comunidade em geral, a partir de 12 anos, com oficinas de hip hop, big boxer, informática básica e inclusão digital, além de atividades com uma psicóloga, que ao longo do ano aborda diversos temas relacionados à doença, às famílias, entre outros. Por ano, o projeto reúne 50 crianças.

O outro é o "Crescer e Conviver", que iniciou este ano. São beneficiados 20 adolescentes, acima de 14 anos. Eles aprendem informática básica e curso de montagem e manutenção de computadores, pintura em azulejo, grafitagem e, com a psicóloga, assuntos de caráter preventivo, projetos de vida, orientação profissional, desafios do mercado de trabalho, entre outros.

Atuando com expressividade no combate à discriminação e ao preconceito, a profissional expõe que a APPA atende hoje 68 pessoas portadoras do vírus HIV, bem como suas famílias. "Apesar de sermos reconhecidos por nossos trabalhos, apresentando pesquisas em fóruns estaduais e federais, sentimos que a comunidade não tem noção da importância de se ter uma instituição que trata especificamente desse mal. Não sabem que a doença ocorre pela falta de consciência e cultura das pessoas", realça. A associação fica na avenida Manoel Goulart, 3.261, em Prudente.

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