Bocas (2)

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor do cavalo e contra as doses cavalares

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 25/07/2021
Horário 05:30

Presumo que muitos de vocês conhecem a expressão "comenta-se à boca pequena", uma metáfora alusiva à discrição quando o assunto é bombástico e pode gerar problemas se for comentado abertamente. No caso em questão, a expressão é equivalente ao famoso boca de siri. Boca de siri e de outros crustáceos, acrescento.
"Vocês ouviram? Comenta-se à boca pequena que o prefeito entrou no motel com a amante dele, aquela que é secretária não sei exatamente do quê", diz algum fofoqueiro de plantão que solicita boca de siri aos interlocutores. Ou que sejam discretos sem espalhar boatos. 
Se o prefeito pagar o motel com o dinheiro dele, sem usar grana pública, ninguém tem nada com isso. Quem tem é a primeira-dama, se souber do caso extraconjugal do marido.
E a boca no trombone? Bem, não é só o Raul de Barros, o Ray Conniff e o Glenn Miller que botam a boca no trombone, no caso deles literalmente porque são músicos. 
Quem bota mesmo a boca no trombone, no sentido de protesto ou manifestação, é o povo, desde que seja povo sem medo e sem lavagem cerebral feita por religiosos picaretas de várias religiões e seitas.
E a boca no mundo? É também equivalente ao célebre boca no trombone. Agora, tem o seguinte: há o risco de um buraco negro, literalmente, botar a boca no mundo e aí vai tudo pra cucuia, e não sobrarão pedra sobre pedra e ninguém para contar a história. 
Há eleições em que surge a boca do jacaré, que é quando um candidato dispara na apuração dos votos. Aí o jacaré abre a boca e só "engole" votos do candidato que dispara e acaba eleito. Será que teremos boca de jacaré no ano que vem?
Não sei, mas sei que a expressão boca de veludo causou mal-estar, em Brasília, nos últimos meses. Talvez seja pura maldade daquele boca suja que só sabe fazer sujeira quando se trata da coisa pública.

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Nasce um otário a cada minuto.
(P.T. Barnum, dono de circo americano).

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