CAC emite aviso prévio a 32 funcionários e inicia rompimento do convênio da Zona Azul

Sem um acordo entre Prefeitura e Casa do Aprendiz Cidadão, que buscava elevação dos valores praticados, serviço será interrompido em Prudente

REGIÃO - GABRIEL BUOSI

Data 26/05/2021
Horário 20:27
Foto: Arquivo
Serviço será interrompido em junho com a ausência de acordo entre as partes
Serviço será interrompido em junho com a ausência de acordo entre as partes

Recentemente este diário noticiou que a CAC (Casa do Aprendiz Cidadão) poderia encerrar a parceria que possui com a Prefeitura de Presidente Prudente com a venda dos bilhetes da Zona Azul, a partir de 14 de junho, caso não houvesse um acordo entre as partes para um equilíbrio financeiro das atividades. À época, a entidade afirmou que a possível ruptura do convênio se dá em virtude do prejuízo financeiro vivido e apontou que se não houvesse um acordo, 35 funcionários precisariam ser dispensados “em plena crise social e econômica”. Sem um acordo entre as partes, nesta semana, a Casa do Aprendiz Cidadão entregou a 32 dos 35 funcionários o aviso prévio, que terá como resultado o término da parceria dentro do prazo anunciado. 
A proposta da Casa do Aprendiz Cidadão é de que haja uma elevação dos valores aplicados hoje pela Zona Azul, que deveriam subir de R$ 1,50 para R$ 3 por uma hora, e de R$ 3 para R$ 6 no caso de estacionamento por duas horas. Por isso, de acordo com o presidente da Casa do Aprendiz Cidadão, Mohamed Ali Sufen Filho, a Prefeitura de Presidente Prudente foi notificada em 23 de fevereiro, sendo informada de que o trabalho desenvolvido pela entidade cessaria inicialmente em 24 de maio, prazo que foi prorrogado. “A razão da possível ruptura do convênio ocorre em vista do prejuízo financeiro que a entidade vem sofrendo desde o governo municipal anterior”.
Mohamed lembra que a unidade é voltada diretamente aos jovens de classe social menos favorecida, ofertando-lhes oportunidades na capacitação profissional e inserindo-os no mercado de trabalho, na condição de Jovem Aprendiz, sempre buscando auxiliar na formação e construção de um cidadão de bem. “Paralelamente e esse trabalho, a CAC possui o Projeto Meu Primeiro Emprego, voltado à prestação de serviços junto à venda de bilhetes Zona Azul, com todos os colaboradores maiores de idade e celetistas, onde possui convênio com o poder público municipal para a prestação desse trabalho público/social”.

"Asfixia econômica"

Ainda de acordo com o presidente da entidade, esse projeto há mais de ano passa por uma “asfixia econômica” para manter-se vivo, o que é do conhecimento da Prefeitura, já que em anos anteriores pleiteou-se uma adequação de valores dos bilhetes, sem sucesso. “Os valores ora cobrados estão congelados desde 2015, além do que os valores arrecadados com a venda de bilhetes da Zona Azul são insuficientes para cobrir as despesas existentes com o projeto”. Apontou ainda que algumas tratativas foram realizadas e não se chegou a um consenso.
“Nessas tratativas não houve uma real contraproposta em valores por parte da Prefeitura, sob o argumento de que é ‘inviável’ qualquer tipo de aumento de valor, em face da crise social/econômica”. Com isso, respeitando a decisão, não restou alternativa à CAC se não a extinção do Projeto Meu Primeiro Emprego, conforme aponta Mohamed. 
A notificação efetuada dá conta da extinção do projeto em 12 de junho, último dia de venda de talões e, a partir de 14 de junho, a CAC não mais atuará na venda de bilhetes Zona Azul. “A entidade pede desculpas por eventuais falhas decorridas na prestação dos serviços, na certeza de que se fez o melhor diante das condições existentes”.

"Pedido inviável"

Em nota, a Prefeitura de Presidente Prudente informou que sempre esteve aberta ao diálogo com a Casa do Aprendiz Cidadão, buscando alternativas que fossem viáveis a ambas as partes, sem comprometer os interesses dos usuários do serviço de Zona Azul. “A administração municipal considerou inviável o pedido, sobretudo no que diz respeito ao valor proposto para os bilhetes, que oneraria ainda mais os cidadãos que hoje se veem com a renda comprometida em razão da pandemia”. 
Disse ainda que, “lamentavelmente”, a CAC alega que terá que dispensar os funcionários da casa com a possível suspensão do serviço, mesmo após a Prefeitura “propor cooperar para a alocação de todos esses colaboradores no mercado de trabalho, sem prejuízo para a renda do jovem e de suas famílias”, proposta que não teria sido aceita. 
Finalizou ao dizer que, inclusive, um grupo de comerciantes já procurou a Prefeitura para solicitar a suspensão temporária da cobrança de Zona Azul, como forma de estimular o consumo na região central e, com isso, contribuir para a recuperação econômica.

SAIBA MAIS
Ao final da jornada de trabalho, a CAC disponibilizará um Curso de Empreendedorismo aos funcionários, a fim de que eles possam conhecer essa nova realidade social/econômico de transformação pela qual passa toda a sociedade no mercado de trabalho, buscando auxiliá-los junto à nova economia. A CAC ressalta que possui excelente relação e irmandade com o poder público municipal e aponta que assim continuará. 

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