Carnaval sem carnaval

JOSÉ COSTA

COLUNA - JOSÉ COSTA

Data 17/02/2021
Horário 03:33

Na época em que deveria acontecer a maior festa popular brasileira, o carnaval, o Brasil fica sem carnaval. Aquele tradicional alvoroço colorido, nos clubes ou na avenida, de repente desapareceu, salvo em alguns locais, de forma bem acanhada. Podemos contar futuramente, aos nossos netos e, quem sabe, bisnetos, que uma tal pandemia fez desaparecer o vuco-vuco, e o que tradicionalmente seria a maior festa popular do planeta simplesmente não aconteceu. Fico perguntando a mim mesmo, como estarão aqueles foliões, que vivem o ano todo esperando o carnaval, e provavelmente estão curtindo a maior fossa, sem os grandes eventos momescos, sem o ritmo alucinante e contagioso, sem as marchinhas, enfim, sem o reinado de Momo, marca registrada de uma nação.

Avenidas vazias

As grandes avenidas, palcos dos tradicionais desfiles de blocos e escolas de samba, viveram situações bem atípicas, ao contrário de outros históricos carnavais, onde a alegria e o luxo marcaram o apogeu do reinado de Momo. Mas, neste carnaval, as avenidas ficaram ociosas, vazias, às moscas, sem a ostentação dos carros alegóricos, das fantasias erigidas em homenagem a personagens famosos.

O sonho de Martinho

O sonho de Martinho da Vila foi adiado, e quem sabe seja realizado no ano que vem. O cantor seria homenageado pela Escola de Samba de Vila Isabel com toda sua vida contada num samba enredo, aliás, Martinho traz em seu próprio nome artístico a Vila de seu coração. A escola promete render suas homenagens ao filho querido no carnaval de 2022.

Enfim, a vacina

A vacina contra o vírus chegou ao centro de saúde de Indiana, porém, em número bem reduzido, beneficiando poucas pessoas, com a imunização. As primeiras doses foram aplicadas nos funcionários da saúde, e depois estão sendo direcionadas de acordo com o cronograma divulgado pelo sistema de saúde. O importante é que está havendo muito interesse das pessoas em serem vacinadas, e a maioria procura manter o distanciamento, evitando aglomerações nos locais públicos, como bares e lanchonetes. O uso de máscaras também está sendo levado a sério.

Terrenos baldios

Um problema cada vez mais preocupante em Indiana são os terrenos baldios tomados pelos matagais, com infestações de insetos, e animais peçonhentos, que ameaçam a saúde das pessoas em geral. O número de lotes que carecem urgente de limpeza é imenso, enfeiando e colocando em perigo moradores do município. O poder público deve advertir os proprietários para que façam a limpeza, e multar, se necessário, ou proceder a limpeza, enviando a cobrança aos responsáveis. 

Cemitério indigna

Nos últimos dias veio à baila um tema curioso, ou seja, se o cemitério indígena realmente existiu em Indiana. Posso falar com propriedade, que o cemitério indígena existiu sim em Indiana e, até os anos 60, fazíamos visitas ao cemitério, localizado à esquerda do caminho que levava as pessoas da cidade até o Rio Palmital, estrada em direção às Três Porteiras, no Campo Celeste. O cemitério ficava próximo a uma figueira, logo depois do "burrinho", de onde se fazia o bombeamento de água para a caixa d’água da Estrada de Ferro Sorocabana, local conhecido por Fazenda Velha. Fui muitas vezes com meu saudoso pai, e lembro que lá havia um cruzeiro de madeira, e o cemitério tinha o formato de um grande círculo, não havia túmulos, pois isso é coisa do homem branco. Ficava no meio daquele cerrado onde havia muita gabiroba, marmelo, pitanga, araçá e marolo, além de goiabas e jabuticabas silvestres. Infelizmente, nunca houve interesse de preservação, e algumas pessoas usaram tratores para tombar toda a área e produzir algodão, destruindo qualquer indício que restava do cemitério indígena.

Mulheres no comando

Quando criança em minha cidade, ficávamos admirados quando víamos uma mulher ao volante de um carro, e era mesmo muito raro, pois dirigir um automóvel "era coisa de macho". As mulheres não chegavam nem perto do volante, e hoje de cada 10 carros que trafegam pela minha cidade, pelo menos seis são dirigidos por mulher. Essas transformações na sociedade são bem mais abrangentes, pois o sexo feminino atualmente está presente em todas as esferas, principalmente na política e no comando de grandes empresas. A OMC (Organização Mundial do Comercio) será dirigida agora pela economista nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, sendo a primeira vez que uma mulher assume a frente dessa organização. Ela já foi ministra das finanças de seu país.

Em tempo

"Se você pode sonhar, pode também realizar".

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