CRF-SP aponta falta de medicamentos para sedação em hospitais do Estado 

Entre eles estão fármacos utilizados em UTI e para a intubação de pacientes com Covid-19; Santa Casa de Prudente informou que suspendeu as cirurgias eletivas nesta semana

PRUDENTE - WEVERSON NASCIMENTO

Data 26/03/2021
Horário 04:01
Foto: Freepik
Alguns medicamentos são utilizados para intubação de pacientes com Covid-19
Alguns medicamentos são utilizados para intubação de pacientes com Covid-19

Um levantamento feito pelo CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo), através de dados fornecidos por farmacêuticos hospitalares de todo o Estado, chama atenção para o desabastecimento de medicamentos (confira a tabela), e traz um alerta à população sobre o risco da falta de fármacos fundamentais, entre eles, os utilizados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), e para a intubação de pacientes com Covid-19. Na região, a Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente informou que suspendeu as cirurgias eletivas nesta semana por conta do atual estoque de medicamentos. Já o HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, alega que possui todas as medicações necessárias para atendimento aos pacientes, mas que consultas e procedimentos eletivos (não urgentes) têm sido agendados ou reprogramados. 
O levantamento, feito no período de 6 de fevereiro a 3 de março, aponta o desabastecimento dos principais medicamentos utilizados para a sedação de pacientes em UTI, como fentanila, propofol e midazolam, e os neurobloqueadores musculares como atracúrio, rocurônio e cisatracúrio, usados em procedimentos que demandam anestesia, como cirurgias eletivas. Os principais motivos apontados pelo desabastecimento destes e de outros medicamentos nos estabelecimentos públicos são: escassez de mercado, alta demanda não esperada, preço alto impraticável, e falha do fornecedor. 
O conselho traz outro alerta ao dizer que, apesar de o oxigênio medicinal ter sido apontado em apenas quatro estabelecimentos, considera-se importante mencioná-lo por tratar-se de um insumo crítico para a manutenção da vida. 
O levantamento foi realizado através de 234 farmacêuticos ligados a hospitais públicos, filantrópicos e privados do Estado de São Paulo. A lista completa de medicamentos pode ser conferida no site oficial do CRF-SP: www.crfsp.org.br.

Impacto local

O impacto da “ausência” de fármacos foi relatado por uma leitora ao jornal O Imparcial, ao mencionar que hospitais em Prudente estão “cancelando” procedimentos cirúrgicos que não sejam de extrema urgência, uma vez que os medicamentos para sedação estão acabando. 
Na tarde desta quarta-feira, a reportagem solicitou um posicionamento para as duas principais unidades de saúde do município. Em nota, a Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente informou que suspendeu as cirurgias eletivas nesta semana por conta do atual estoque de medicamentos, e que manteve apenas os procedimentos de emergência e urgência. “Ainda há estoque de medicamentos para sedação para alguns dias, mas a instituição não está conseguindo a reposição juntos aos fornecedores”, expôs.
A Secretaria de Estado da Saúde, que responde pelo HR, informou que a unidade prudentina de saúde possui todas as medicações necessárias para atender pacientes de alta complexidade internados em UTI. No entanto, acrescentou que, em virtude da necessidade de salvar vidas e priorizar atendimento aos casos de urgência e emergência em meio à pandemia do novo coronavírus, consultas e procedimentos eletivos (não urgentes) têm sido agendados ou reprogramados com base em avaliação caso a caso, dependendo da orientação médica e do quadro do paciente. “Os pacientes que tiverem dúvidas podem entrar em contato com a unidade para orientações”, pontuou.

SAIBA MAIS
No início deste mês, a diretoria do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo) reuniu-se por videoconferência com a Coordenadoria de Assistência Farmacêutica do Estado de São Paulo, órgão ligado à Secretaria de Estado da Saúde, para manifestar a preocupação da entidade com a possibilidade de desabastecimento de medicamentos administrados em pacientes internados em hospitais paulistas para o tratamento da Covid-19.
Na oportunidade, o presidente do CRF-SP, Marcos Machado, afirmou que esse cenário preocupa a entidade e reiterou que o Conselho está à disposição do órgão do governo para auxiliar no que for necessário para evitar que a situação se agrave. “Nós, como entidade de classe, nos preocupamos com essa situação. Então, nos antecipamos para saber como podemos ajudar e colaborar de forma efetiva”, disse na ocasião.
A coordenadora de Assistência Farmacêutica do Estado de São Paulo, Alexandra Mariano Fidêncio, também apresentou dados sobre o abastecimento no Estado e afirmou que a ajuda no conselho é bem-vinda, principalmente no sentido de levar essa discussão para o âmbito nacional. A reunião também contou com a participação de representantes de outros órgãos ligados à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, como o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, Centro de Controle de Doenças, e a Diretoria Técnica da Saúde.

Abastecimento de medicamentos nos hospitais do Estado

Classificação da unidade de saúde

Levantamento

Estabelecimentos privados

Entre os 103 estabelecimentos privados, 77 responderam que faltam medicamentos

Estabelecimentos públicos (parcerias privadas, terceirização)

Entre os 43 estabelecimentos públicos, 32 responderam que faltam medicamentos

Estabelecimentos filantrópicos

Entre os 41 estabelecimentos filantrópicos, 32 responderam que faltam medicamento

Estabelecimentos públicos (administração direta)

Entre os 38 estabelecimentos públicos, 34 responderam que faltam medicamentos

Estabelecimentos beneficentes

Entre os 4 estabelecimentos beneficentes, 4 responderam que faltam medicamentos

Estabelecimentos mistos

Entre os 4 estabelecimentos mistos, 2 responderam que faltam medicamentos

Fonte: CRF-SP

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