Dar tudo

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 24/11/2019
Horário 04:21

Como gostaria de ajudar você. Sim, mesmo que você não me tenha pedido nenhuma ajuda, mesmo que talvez você é quem possa me ajudar. Uma conversa franca, uma escuta honesta, um olhar atento, um aperto de mão ou um abraço acolhedor. No fundo, eu gostaria de fazer você se sentir amado – caso isso não seja realidade em sua vida. A fragilidade ou a vulnerabilidade do outro me alcança e toca. Talvez ainda me faltem muitas reflexões e ações em favor do outro, todo outro, qualquer outro. Mas hoje, o que posso oferecer é esse texto. Dois minutos de prosa.

De vez em quando fazem campanhas sobre gentileza, mas a gentileza não é o prato do dia na maioria das casas e dos lugares que frequentamos. No trânsito - me pergunto - quando teremos pessoas facilitando a circulação das outras? Mas quero falar de dádiva [ato ou efeito de dar espontaneamente algo de valor, material ou não, a alguém; presente, oferta]. Lembrei-me da conhecida história “Dar tudo”, de Rabindranath Tagore (poeta, romancista, músico e dramaturgo de Calcutá-Índia, Prêmio Nobel de literatura em 1913):

A fragilidade ou a vulnerabilidade do outro me alcança e toca. Talvez ainda me faltem muitas reflexões e ações em favor do outro

Eu mendigava de porta em porta, pelo caminho da aldeia, quando teu carro de ouro surgiu à distância e parecia um sonho esplêndido. Perguntei a mim mesmo quem seria esse Rei de todos os reis. Minhas esperanças subiram ao céu. Eu pensava: “terminaram meus dias nefastos”. E tive esperança de esmolas espontâneas e de riquezas soltas na areia. O carro parou onde eu estava. Tu me olhaste e desceste sorrindo. Senti que, afinal, chegara o dia da minha felicidade. E, de repente, estendeste-me a mão direita, perguntando: “que tens para mim?”. Ah! Teu capricho real de estender a mão a um mendigo! Confuso, perplexo, meti a mão na sacola e, devagar, retirei um pequeno grão de trigo, que te ofereci. Mas, à tardinha, foi enorme a minha surpresa. Esvaziando minha sacola, vi um grão de ouro entre os de trigo. Chorei lágrimas amargas e, lamentando-me, dizia: “Por que não dei tudo a ele?”

Parceladamente, dia a dia, vamos nos doando aos outros assim como os outros se nos dão. Como a vida é graça sobre graça, ninguém empobrece, todos enriquecem. O círculo dadivoso da bondade não pode ceder aos reclames egoístas e truculentos jamais.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

 

 

 

 

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