Desdobramentos na constituição familiar

Atualmente passamos por mudanças na constituição familiar. Tempos atrás, havia o envolvimento de outros membros importantes, como: avós, tios, padrinhos, onde exerciam papéis também de apoio, suporte e modelos identificatórios. Atualmente não há mais essas presenças tão importantes e atuantes como antes, devido a tantas mudanças e demandas sociais, econômicas e até culturais. Novas configurações familiares fazem parte hoje dessa realidade e é preciso assimilar elaborar, aceitar e seguir em frente. 
Temos famílias com ramificações diversas, por conta de intolerâncias às frustrações, levando a separações, bem como divórcios. Há famílias com filhos adotivos e as novas configurações de casais homossexuais. A diversidade em sua estrutura é um fato. O fato da existência de novos desdobramentos familiares não significa desestruturação e evidência de fracasso no futuro. É possível sim, se houver princípios, leis, limites, regras, acordos, assim como afeto, acolhimento, maturidade e responsabilidade, poderão construir uma família com grande possibilidade fértil. 
O sucesso de uma família é resultado de um grande trabalho, considerado árduo, complexo e permanente. Uma vez formada a família, até que os filhos não tenham atingido a independência, maturidade e autonomia física, psíquica e emocional, o fundamental é que não haja espaço para negligência e indiferença. Há um aspecto de natureza inconsciente, onde nenhuma família está livre, que é a questão de um depositário dentro da família. É alguém que, inconscientemente, elege-se, despejamos tudo nele, onde absorve toda angústia, fragilidade e imaturidade que emerge na dinâmica e funcionamento emocional na família. É uma esponja, absorve e mantém tudo dentro. Torna-se um depósito das loucuras e neuroses familiares. 
Em uma família há sempre muitos conflitos. É inevitável e inerente. O ideal seria que todos desempenhassem bem seus respectivos papéis, com segurança e compromisso. O que ocorre atualmente é que observamos mães extremamente inseguras e imaturas, transferindo seus problemas, não tomam atitudes, pois, ainda se consideram mais filhas do que mães. Instalada essa dependência maternal com a própria mãe, mesmo casada e com filhos, muitas vezes acaba usando esse depositário, fazendo jogo uns com os outros. 
Muitas vezes com problema com o esposo e por incapacidade de assumir, acaba jogando filho contra pai. Há mães que não libertam seus filhos, por incapacidade em criar o seu próprio espaço ou por até mesmo, cegar-se diante de possíveis investimentos em sua vida, os mantém em uma teia onde eles não encontram formas de libertar-se, adquirir espaço para crescer e tornarem-se adultos. E o resultado é que esse filho passa a ficar fusionado a ela, e ela a ele. 
Há pais com problemas com a esposa, usam seus filhos, por não conseguirem tomar atitudes. Alguns pais não permitem que seus filhos sigam seus caminhos, fazem um jogo sedutor para que não adquiram autonomia. Filhos acabam reféns de seus próprios pais. A independência causa mal-estar, sentem-se culpados e regridem, aceitando ser o depositário da família. Muitas vezes, esse depositário nem sempre é o filho, pode ser outra pessoa da família. O depositário, tão sobrecarregado de angústias de toda a família, absorve tudo e acaba surtando. O mundo real fica muito doloroso e conflituoso, sendo a fuga a solução. Não lhe resta mais nada do que negar a realidade. Psicotizar é a solução. 
Esse depositário muitas vezes pode buscar alívio em infinitas formas: nas drogas, reações somáticas, surto psicótico, e alguns transtornos. Formar uma família é maravilhoso, mas não é tão simples assim, é necessário que cada um saiba identificar exatamente quais são os seus papéis e como desempenhá-los bem.
 

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