Duda Dias, paratleta

Esportes - OSLAINE SILVA

Data 21/01/2020
Horário 08:05
Daniel Zappe/CPB: Minha deficiência sempre foi meu combustível Foto: Daniel Zappe/CPB: Minha deficiência sempre foi meu combustível

“Todo esporte é superação!” Arrepia ler cada palavra de Edwarda de Oliveira Dias, a Duda, 20 anos, paratleta do vôlei sentado do Sesi-SP/Suzano e uma das jogadoras da Seleção Brasileira, que está de férias em Presidente Prudente, treinando parabadminton com o namorado Rogério Júnior Xavier de Oliveira, os demais amigos e a técnica Mayara Bacarin Bressanin. Depois das Paralímpiadas de Tóquio, no Japão, ela se muda de vez para a cidade que vem se destacando tanto no badminton quanto no parabadminton.

Em qual cidade você nasceu. Onde mora atualmente?

Nasci em Pinhão [PR]. E por conta do vôlei sentado me mudei para Suzano-São Paulo aos 14 anos, onde estou até hoje. Aos 13 entrei para a Seleção Brasileira e recebi um convite do Sesi-Suzano. Então, me mudei para treinar com a equipe diariamente!

 

Você comentou que deve se mudar para Presidente Prudente de vez? Quando será?

Vou me mudar para Prudente definitivamente depois das Paralímpiadas de Tóquio. Será minha segunda Paralímpiada representado nosso país com o vôlei sentado. Jogava de líbero, ganhei três prêmios individuais de melhor líbero de campeonato e nesta edição jogarei como levantadora atacante, que é totalmente diferente do que eu fazia. Será uma experiência nova!

 

Muda-se para Prudente com a família ou sozinha?

Sozinha! Moro sozinha desde que me mudei para São Paulo. Minha família está toda no Paraná. No começo foi bastante complicado, mas aprendi a lidar com essa distância. Nesse período, de ano de Paralímpiadas, é mais complicado porque fico o ano inteiro fora. Mas, para irmos atrás de nossos sonhos temos que abrir mão de muitas coisas!

 

Como e quando você e o Rogério se conheceram?

Nos conhecemos no CPB [Centro Paralímpico Brasileiro] em São Paulo, no ano passado. Estava treinando com a seleção brasileira de vôlei e ele estreando em sua primeira fase de treinamento com a seleção de Parabadminton. Como ele era da equipe do Sesi, começamos a conversar e a partir dali nunca mais nos afastamos, amor a primeira vista existe sim [gargalhada]!

 

Ele foi um incentivo para você começar a praticar o badminton?

Acredito muito nos planos de Deus! E quando é pra ser, Ele dá seu jeito de dar certo [risos]. Conheci a modalidade através dele [Rogério], comecei a jogar por brincadeira, vi que levava jeito e passei a treinar. Joguei meu primeiro Campeonato Brasileiro e fui campeã na minha categoria, e ficamos em segundo lugar na dupla mista jogando juntos! Ali me apaixonei pelo badminton e concluí que era aquilo que eu queria fazer. Vi que tinha jeito para a coisa...

 

Você pode falar sobre a sua deficiência?

Nasci assim. O cordão umbilical enrolou em minhas perninhas e por isso uma delas não se desenvolveu por completo e no outro pé não tenho dois dedos. Não apareceu na ultrassonografia. Minha mãe [Ângela] só descobriu quando nasci.

 

Você é prova viva de que não há limitações para se praticar esportes, não é Duda?

Exatamente. E agradeço à minha família que sempre me ajudou, incentivou muito. Quando somos crianças pensamos em tanta coisa, em tudo. E minha mãe sempre me fez fazer tudo! Certa vez, uma vizinha disse que eu não conseguiria dirigir um carro. No outro dia, minha mãe me colocou dentro do carro para eu aprender dirigir [risos].

 

Sua deficiência em algum momento foi empecilho em sua vida?

Não, pelo contrário! Minha deficiência sempre foi meu combustível. Quanto mais dificuldades apareciam, mais eu me fortalecia. Minha família me ajudou muito nessa fase, tudo o que as pessoas diziam que eu não conseguiria fazer, logo em seguida minha mãe fazia questão que eu tentasse. Com ela aprendi a nunca desistir! Quanto maior a dificuldade, maior será a vitória. E carrego isso comigo até hoje!

 

Já sofreu algum tipo de preconceito por conta da sua deficiência?

Tenho uma personalidade muito forte eu diria [gargalhada]. Já sofri sim, mas desde pequena exigia que as pessoas me respeitassem. Cresci em uma família de professores, onde os bons valores do ser humano eram exigidos diariamente. Quando pessoas me desrespeitavam ou zombavam de mim eu já partia para a briga mesmo, literalmente [gargalhada]. Algumas vezes tirei a perna [prótese] para bater na pessoa pra ela aprender a me respeitar [risos]. Mas, como já disse, todas essas dificuldades serviram para me fortalecer mais e mais.

 

Quer deixar uma mensagem especial?

Queria deixar um ‘recado’ para todos: ‘Nunca deixe alguém dizer que você não é capaz de algo, a única pessoa que pode impor algum limite é você mesmo. Não desista, faça das dificuldades o seu combustível! Creia no impossível, se dedique naquilo que sonha e lembre sempre que o céu é o limite. E você pode tudo! Na verdade a sociedade é que faz com que o deficiente pense muitas vezes que ele não pode viver. E isso não tem nada a ver. Até me arrepia, mas nas Paralímpiadas, por exemplo, existe toda essa magia de superação de pessoas que venceram na vida!

 

PERFIL

Nome: Edwarda de Oliveira Dias

Idade: 20 anos

Formação: Cursando Administração e Ciências Contábeis

Atividade profissional: Atleta profissional

Onde nasceu: Pinhão (PR)

Filiação: Ângela Maria de Oliveira e Edward dos Santos Dias

Irmãos: Stefany, Erica, Edwardo, Emanuel

E-mail: edwarda.duda@gmail.com

Instagram: @edwardadias

 

 

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