E de repente, você foi seduzido por uma história

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 28/06/2022
Horário 05:30


Esta crônica não é sobre esquerda ou direita ou qualquer outra briga que os polarizados travam por aí. 
Este post é sobre narrativas, estas estruturas de linguagem que têm sido as grandes protagonistas do debate político, econômico e social na história recente das mídias digitais e mais especificamente nas redes sociais.
E se você não se acha atingido por elas, está bem enganado. Uma hora ou outra já tomou uma decisão baseado em uma narrativa.
No fundo, narrativas são histórias bem contadas, com começo, meio e fim, personagens bem construídos, argumentos inteligentes e com elementos de persuasão que podem ter o conteúdo ainda mais amplificado conforme a estratégia de uso nas mídias digitais, em especial aqui a repetição.
A repetição e a frequência das narrativas são capazes de provocar dúvidas no mais obstinado dos teimosos e o segredo é que elas encontram conexão com os receptores mais primitivos do homem para entender e se reconhecer no mundo: as histórias. 
E vamos ser sinceros: quem pode dizer "não" para uma boa história? Ela acalma o ser humano porque ele consegue encontrar sentido na confusão de ideias que estão à sua volta.
Mas, claro, não é pode ser aplicada de qualquer jeito.  
Por exemplo: se você só falar que precisa voltar com voto impresso, uma das narrativas mais atuais, não pega ninguém. 
Agora, coloca isso no contexto de uma outra narrativa bem construída que foi a luta contra a corrupção, a justiça, liberdade, poder nas mãos do povo e para o povo? Junte a este caldo personagens também narrativamente bem construídos e você verá o tema pegar fogo! 
Mas este episódio do voto impresso é um exemplo só. Pense comigo em quantas narrativas foram criadas recentemente, em cima de fatos concretos ou não, mas que de forma robusta conseguiram mobilizar todo país? De Lava-Jato, Lula Livre, Reforma Trabalhista e da Previdência à vacina da Covid teve de tudo. 
Em tempo: a gente viveu e vive há mais de dois anos uma pandemia e milhões de brasileiros optaram por não se vacinar. Optaram! 
Ou seja, a narrativa de que não tomar vacina é uma liberdade pessoal ganhou forte de uma verdade: em meio a uma pandemia, não é sobre um, mas sobre todos. 
Isso fora as ideias mais toscas de “chip”, “vírus comunista”, “implante de DNA”, que não são nem narrativas, mas sim idiotices.
Enfim, caros leitores, narrativas pegam sim e nas mãos de pessoas que sabem usá-las estrategicamente provocam mobilizações imensas.
Resta saber se você está suscetível ou não a ser convencido por uma delas.   
 

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