Educação e lusofonia IV

António Montenegro Fiúza

«A Lusofonia, para mim, tem sempre uma parte de identidade, é um pouco a minha bandeira e a música que eu canto; e todas as influências que eu tenho a nível cultural.»

Aline Frazão, cantora e ativista angolana

Uma simples referência à lusofonia evoca viagens pelo imaginário povoadas por sabores, texturas, sons e musicalidades, sensibilidades e emoções; a língua portuguesa é a língua oficial e ou materna de nove países e de cerca de 270 milhões de pessoas, distribuídas por quatro continentes e uma miríade de culturas e manifestações artísticas, civilizacionais e sociais. A quinta língua mais falada no mundo alberga em si a pluricontinentalidade da língua portuguesa, o pressuposto inicial para aquilo a que se tem chamado uma interculturalidade.

Definiremos a interculturalidade como a interação, uma simbiose entre culturas diferentes, com base num denominador comum, mas sem que nenhuma delas se sobreponha, antes que se mantenha a identidade e que se promova o enriquecimento de cada um dos seus elementos. O respeito pela diversidade e heterogenia são as características mais importantes desta interculturalidade, a qual abraça o mundo inteiro, desde Oriente ao Ocidente, estendendo-se por 12 fusos horários e confluindo na indelével união linguística.

As tradições, os costumes e a história da Europa, da África, da América (do Sul) e da Ásia miscigenam-se, entrecruzam-se e renascem, são contadas, vividas e partilhadas numa identidade híbrida, a qual só foi possível com o derrubar de barreiras linguísticas e com a construção de uma ponte cultural una e unificadora.

Moisés de Lemos Martins ter-se-á referido à lusofonia como um continente imaterial, no qual povos irmãos vivem e convivem através do poder unificador da língua; exemplo claro disso é encontrado na atual geração, a qual encontra, na língua portuguesa, um modelador da sua história e o fundamento da irmanação de vários falantes, com uma cultura comum, a qual se concretiza de variadas e ricas formas.

A morna cabo-verdiana traz em si um pouco do fado, e numa única roda, cantam-se e dançam-se a marrabenta e o ússua; e o samba, que percorre o sangue do brasileiro relembra-nos o semba angolano, demonstrando as suas origens mais recônditas. Johann Gottlieb Fichte, filósofo alemão, terá dito que a língua de um povo é a sua alma e nos maravilhamos, a par e passo, com esta alma fantástica, a qual une e é celebrada por 270 milhões de falantes: a língua portuguesa.

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