Educação na cesta de ovos

OPINIÃO - Arlette Piai

Data 07/07/2020
Horário 04:18

Era uma vez uma menina que levava uma cesta de ovos para vender na feira. Pela estrada afora, ia fazendo contas: com a venda destes ovos vou comprar mais galinhas, com mais galinhas vou vender ainda mais ovos, com dinheiro de mais ovos, vou comprar um aviário. Com o dinheiro do aviário, vou exportar ovos para todo o Brasil. Daí construirei mansões, prédios e depois contrato uma empresa pra perfurar poços de petróleo... Tropeçou numa pedra e quebraram-se todos os ovos.

A história da menina lembra os políticos em campanha eleitoral. Nas cestas de ovos, sempre há de tudo: educação, saúde, segurança, transporte público, empregos, indústrias, aeroportos, ferrovias, infraestrutura, leis do interesse público. Mas - governo vai, governo vem - só se vê ovos quebrando. Vejamos: o primeiro ministro da Educação do atual governo foi Ricardo Vieira, excelente piloto de aviões de caça, seria ideal se professor fosse pilotar avião, né leitor? O segundo, Abraham Weintraub, dispensa comentários. O terceiro escolhido, além de ser economista, já sai com fraude na largada: currículo escandalosamente adulterado.

Affeee! Se administrador de empresa fosse exercer função odontológica todo mundo ficaria banguela, né? Foi sugerido ao presidente da República o nome de Viviane Senna. Pedagoga, especializada na área da educação, experiente, de capacidade inquestionável, dirige o Instituto de Educação Ayrton Senna que é reconhecido entre os melhores do mundo: refugada.

A pandemia excluiu ainda mais os mais excluídos. E a escola informação-adestramento, não dá né, leitor? Excesso de informação é tóxico; educar não é somar, é tirar. É subtrair de cada um o instinto animal da violência, do egoísmo, da exclusiva sobrevivência instintiva. É “tirar” para que venha à tona a função humana, da ética, moral e dos valores humanísticos. O verdadeiro conhecimento é “mastigado, digerido, incorporado”, fora disso, polui a mente.

Quem quer ter filho professor levante a mão. Não levantou? Veja, leitor, a profissão mais nobre entre todas as outras se encontra literalmente desqualificada. Malala, criança paquistanesa baleada por defender direito de a mulher estudar, disse: “Uma criança, um professor, um livro e um lápis podem mudar o mundo”.

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