Em vivência, treinadora estimula prática do rugby em Prudente

“LUGAR DE MULHER" De Rio Preto, Stephanie da Silva também defende a inclusão feminina na modalidade

Esportes - ANDRÉ ESTEVES

Data 17/03/2017
Horário 10:23
 

De passagem em Presidente Prudente, a treinadora de rugby de São José do Rio Preto (SP), Stephanie Rayra Lino da Silva, promoveu, na manhã de ontem, uma vivência do esporte na Praça da Juventude e da Longevidade "Lucas Nalini Paschoali", na Cohab, com o objetivo de introduzir a modalidade aos interessados. A atividade compôs a programação do Mês da Mulher do Sesc (Serviço Social do Comércio) Thermas.

Na ocasião, ela apresentou aos presentes como fazer o passe e o try (forma de pontuação máxima) e uma experimentação do tag, que é uma variação do rugby para iniciantes. "Os meninos estão indo muito bem. A única dificuldade é conscientizá-los que o passe é para trás, pois, mas na grande maioria dos esportes é para frente", expõe.

Jornal O Imparcial Sesc ofereceu vivência na Praça da Juventude da Cohab, ontem

Além de difundir conhecimento sobre a prática, um dos propósitos de Stephanie é fomentar a participação feminina na modalidade, tanto que, há cinco anos, é treinadora do Rio Preto Hydra, um clube formado por 20 mulheres. Segundo ela, o rugby praticado pelo público feminino ainda é permeado por todo tipo de preconceito. "Ouvimos que somos fracas para isso, que não jogamos tão bem assim e que o rugby é um esporte muito masculino, portanto, não serve para mulher. Desta forma, lutamos todos os dias para quebrar essa barreira e mostrar que também temos garra e somos tão fortes e boas quanto os meninos. Não é em vão que a nossa seleção é 12 vezes campeã consecutiva do Sul-Americano, mas ninguém reconhece ou sabe dessa informação", aponta.

Para Stephanie, a ruptura dos paradigmas não deve acontecer apenas no rugby, mas em todos os esportes, visto que a prática independe de gênero. "Tem que dar a cara para bater, jogar e estar nem aí para o preconceito", defende.

Quanto à popularização do rugby em âmbito nacional, a treinadora destaca que a modalidade conquista de forma gradativa o seu espaço, mas se encontra estagnada no interior, onde o incentivo ainda é fraco, uma vez que é comum os times se desanimarem e desmancharem. Lamenta, inclusive, a desintegração da equipe feminina de Presidente Prudente com a qual competiu no primeiro jogo do Rio Preto Hydra. "Coincidentemente, foi aqui e a gente perdeu para o time local. Elas eram muito boas e não entendo por que pararam", ressalta. Stephanie complementa que o rugby é a prática que mais cresce no Brasil após as lutas e o seu grande diferencial são os valores. "Eles passam muita coisa para a gente: respeito, paixão e integridade. O rugby é assim: ou você ama ou você odeia. Mas quando você ama, acaba fazendo parte de uma grande família", pontua.

Hoje, Stephanie encerra a sua participação no município com uma vivência na Praça da Juventude Francisco Vinha, das 9h30 às 12h30, no bairro Ana Jacinta.

 

Experiência nova

O estudante Elton Fernandes Pereira de Jesus, 12 anos, nunca havia jogado rugby, mas aprendeu as regras do tag de forma rápida. Ele afirma que, diferente do futebol, o jogo é com as mãos e exige que o competidor corra mais, a fim de impedir que o adversário retire as fitas que ficam amarradas uma de cada lado da cintura. "Outro desafio é que você nunca pode jogar a bola para frente, só para trás. Como estou acostumado com o futebol, esqueço um pouquinho", comenta. Já o estudante Kajison Evol Ribeiro de Souza, 12 anos, achou a iniciativa bastante diferente. "A começar pela bola, que é oval", completa.

 

Veja também