Empresa de Adamantina assume transporte e destinação de lixo produzido em Prudente

Valor é de R$ 9.460.800 por seis meses de contrato; aterro controlado da maior cidade da região não pode mais receber resíduos

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 18/10/2021
Horário 17:02
Foto: Nova Alta Paulista Ambiental
Lixo produzido em Prudente será destinado para área em Adamantina
Lixo produzido em Prudente será destinado para área em Adamantina

A Prefeitura de Presidente Prudente, por meio da Semea (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), informou na tarde desta segunda-feira que a empresa Nova Alta Paulista Ambiental Ltda., com sede em Adamantina, foi contratada para assumir os serviços de transporte e destinação final dos resíduos sólidos do município.

O valor é de R$ 9.460.800 por seis meses de contrato.

Segundo a nota do Executivo, a modalidade de contratação foi a de dispensa de licitação, em razão do caráter emergencial do serviço. O transporte, entretanto, ainda não foi iniciado, uma vez que ainda depende da liberação de uma área para o transbordo do lixo, local onde o lixo é depositado pelos caminhões da Prudenco (Companhia Prudentina de Desenvolvimento) para ser recolhido pela contratada.

A administração municipal enfatiza que a empresa já possui LP (licença prévia) e LI (licença de instalação), porém, ainda depende da LO (licença de operação) para iniciar o uso deste espaço.

"A Prefeitura acionou o Ministério Público e também o Judiciário requerendo autorização para uso do próprio aterro sanitário como área de transbordo, até que a empresa contratada obtenha a LO, e agora aguarda deliberação por parte da Justiça", pontua.

Após decreto

A medida sucede o decreto 32.282/2021, publicado pelo Executivo em agosto, o qual declarava situação de emergência, por 180 dias, para a disposição de resíduos sólidos na cidade, devido à falta de espaço físico no aterro sanitário municipal. O prazo poderia ser prorrogado, se necessário, por igual período.

À época, a municipalidade apontou que, diante do fim da vida útil do aterro, o município contrataria uma empresa de forma emergencial para fazer o transporte do lixo produzido diariamente na cidade. Estima-se que sejam produzidas 240 toneladas de resíduos por dia no município.

Paralelamente, a administração municipal analisaria outras propostas para dar uma solução definitiva para a problemática do gerenciamento de resíduos, em conformidade com o Plano Nacional de Gerenciamento de Resíduos Sólidos. "Também serão implementadas diversas ações de educação ambiental, para que cada cidadão também assuma sua cota de responsabilidade sobre o descarte ambientalmente correto de lixo", afirmou na ocasião.

Medidas urgentes

Segundo o mesmo decreto, o Executivo ficava autorizado a contratar o que se fizesse necessário para a execução dos serviços, sendo que, durante a vigência do documento, seriam realizados os procedimentos administrativos para a contratação por meio do competente processo licitatório, conforme a legislação vigente.

Ficou facultado promover a abertura de PMI (Procedimento de Manifestação de Interesse) a ser observado na apresentação de projetos, levantamentos, investigações ou estudos, por pessoa física ou jurídica de direito privado, com a finalidade de subsidiar a administração pública na estruturação da desestatização de empresa e de contratos de parcerias.

No decreto, a Prefeitura defendeu que a atual administração assumiu o mandato em 1º de janeiro de 2021, encontrando o "aterro controlado" em processo de finalização, a partir de medidas impulsionadas pelo MPE (Ministério Público Estadual) desde o ano de 1997. Isso resultou em decisão judicial que prevê multa em caso de descumprimento.

Apontou que o projeto de adequação da conformidade final, apreciado pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), previa a possibilidade de armazenamento de resíduos no "aterro controlado", com data física final para 30 de agosto de 2021.

Considerou que a atual gestão, na época com menos de oito meses de duração, busca todas as alternativas possíveis para que a população não seja prejudicada pela descontinuidade da prestação do serviço público de armazenamento de resíduos.

Em relação à lei federal que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, destacou que o município busca cumpri-la como parte integrante do Cirsop (Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos do Oeste Paulista), formado para encontrar solução integrada para os consorciados, no que tange à destinação final de resíduos sólidos e de rejeitos coletados, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, bem como minimizar impactos ambientais adversos, contudo, a referida entidade ainda não conta com local apropriado para a destinação em questão.

A municipalidade reconheceu que a paralisação dos serviços de destinação final dos resíduos sólidos representa grave risco à saúde e à ordem pública, tanto em razão das possíveis doenças causadas, como em razão dos danos ao meio ambiente. E que, por isso, "essas circunstâncias impõem ao poder público a adoção de medidas administrativas urgentes e especiais, de modo a garantir à população a continuidade da prestação de serviço público e um meio ambiente saudável, livre de quaisquer formas de poluição".

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