Futebol prudentino coleciona êxitos e insucessos

Até aqui, oito clubes profissionais surgiram como representantes da cidade. Três estão em atividade

Esportes - PAULO TAROCO

Data 14/09/2017
Horário 14:33
Cedida, Jogadores do Corinthians PP de 1996 falam sobre virtudes daquele trabalho
Cedida, Jogadores do Corinthians PP de 1996 falam sobre virtudes daquele trabalho

Não só de sorrisos viveu o torcedor do futebol prudentino no decorrer do primeiro centenário da cidade. Provavelmente, o esporte mais popular do país foi o que vivenciou um número maior de instabilidades desde o surgimento da prática na cidade, entre os esportes que tiveram a iniciativa de adentrar no cenário das disputas profissionais.

Vitórias dentro dos gramados, mas seguidas de derrotas dentro e fora dos campos, que levaram alguns clubes às crises e extinções, ocorreram juntamente com o surgimento de clubes itinerantes ou temporários que levaram muito mais que a própria marca, mas também a esperança e a identidade do torcedor prudentino.

 

Apea

A história se inicia no final da década de 1930, inicio da década de 1940, após o início das atividades da Apea (Associação Prudentina de Esportes Atléticos), em 1936. A princípio, o foco dos apeanos seria o basquete, entretanto, quatro após a fundação do clube, pessoas ligadas às decisões da Apea decidiram fomentar uma equipe de futebol na instituição esportiva. Em 1946, os prudentinos finalizavam o próprio estádio, o Felix Ribeiro Marcondes, feito com ajuda dos associados e de parte da sociedade prudentina da época. A equipe permaneceu cerca de 10 anos jogando as divisões de acesso à divisão principal do futebol profissional do estado de São Paulo, e, em 1961, após a Ponte Preta, de Campinas (SP), na partida decisiva realizada no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, Pacaembu, em São Paulo (SP), a equipe obteve o direito de disputar a divisão de elite paulista. O time de 1961 tinha como base: Glauco, Vicente, Celso Paiane, Fernandinho, Mauri, Roberto, Mendoncinha (Reginaldo), Ademar Pantera, Cláudio, Rubens Josué e Valter, técnico: Sidnei Coltrin. A equipe ficou na principal divisão até 1967, quando foi rebaixada e, na sequência cessou a atividade futebolística profissional no clube. Neste tempo na primeira divisão, a Prudentina proporcionou histórias simbólicas ao futebol prudentino, “como o jogo contra o Santos, de Pelé, onde o craque marcou 5 gols na vitória santista por 5 a 1, em 1965, em Prudente.”, como conta o cronista esportivo e ex-atleta da Apea, Luis Semensatti.

 

Corinthians PP

Paralelamente à história apeana, em 1945, surge outra equipe de futebol profissional na cidade, o Esporte Clube Corinthians de Presidente Prudente. Antes do final desta década, o clube já havia estruturado o próprio estádio, o Parque São Jorge. Na segunda divisão paulista de 1959, a equipe obtém a primeira colocação na etapa final de classificação e garante vaga à série principal do futebol paulista no ano seguinte. A base da equipe vencedora daquela temporada era composta por: Acosta, Tó, Bertania, Joãozinho, Cotia, Luizinho, Barras, Nélson Luques, Robertinho, Zé Amaro e Plínio, técnico: Martins Carvalho (Paraguaio). A equipe não conseguiu permanecer por muito tempo na primeira divisão. No ano seguinte, sacramentava o retorno às divisões de acesso, onde enfrentou momentos difíceis nas décadas seguintes. Estes momentos podem ser exemplificados principalmente com a venda e demolição do Parque São Jorge, efetuadas nos meados da década de 1980. Antes do suspiro final em 2001, o último grande feito do alvinegro prudentino aconteceu em 1996. A equipe foi vice-campeã da série A-3 do Campeonato Paulista e garantiu vaga à disputa da série A-2 em 1997. Na última partida do quadrangular final daquele, contra a Matonense, de Matão (SP), no dia 25 de agosto, mais de 24 mil pessoas estiveram presentes no Estádio Municipal Paulo Constantino, Prudentão, que se tornara casa corinthiana após a perda do antigo estádio. Apesar da ausência de dados oficiais, as evidências apontam que, até hoje, o público é recorde da série A-3 Paulista. O time base daquele ano era composto por: Narciso, Correia, Nílson (Teté), Lúcio Surubim, Admílson, Odair, Wallace, Fernando (que falecera pouco depois em um acidente automobilístico), Leonardo (Adriano) e Gílson, que foi artilheiro do certame com 17 gols. O time era treinado por Luiz Carlos Ferreira, “Rei do Acesso”.

Alguns representantes corinthianos ligados à conquista falam do valor obtido e do segredo para chegar àquele que foi o último êxito do Corinthians de Presidente Prudente. “Ele [Ferreira] chegou e disse: quero um goleiro bom, um zagueiro bom, um meio-campo experiente e um atacante finalizador”, lembra Sérgio Jorge Alves, radialista, dirigente e torcedor símbolo alvinegro.

“Era um timaço, feito para jogar a série A-2 do próximo ano. Vários jogadores ali já tinham passado por primeira divisão de São Paulo e outros estados”, diz Lúcio Surubim, zagueiro e um dos líderes corinthianos na campanha.

“Foi resultado de uma boa administração, de um bom trabalho feito dentro de campo e do apoio da torcida, pois, apesar do tamanho do estádio, quase todo jogo era casa cheia”, diz o artilheiro Gílson.

“Apesar da experiência, não tínhamos vaidade. Nos unimos em prol de cada um dar o seu melhor ao time. Essa campanha nos marcou muito. Deixou saudades”, afirma Wallace, maestro do meio-campo corinthiano em 1996.

 

Retorno

Desde o ano passado, o Corinthians prudentino foi reinaugurado por uma gestão e inscrito na Taça Paulista de futebol profissional. A Taça é organizada por entidades que tem independência das instituições profissionais do futebol do Brasil. Em 2016, a Taça foi realizada pela LFP (Liga de Futebol Paulista), que deu lugar a LFN (Liga de Futebol Nacional do Brasil) este ano. Ano passado, o Corinthians chegou às quartas de final. Este ano, caiu ainda na primeira fase.

 

Outros clubes

As últimas décadas da história do futebol prudentino também têm foi marcada pela presença de clubes que chegaram e, rapidamente, deixaram o cenário e por equipes que tentam se afirmar no gosto do torcedor prudentino.

Em meado da década de 1970, em um período de crise do Corinthians de Prudente, surge a primeira tentativa de um time com nome de Presidente Prudente, que não foi muito adiante. Em 1989, nascia outro PPFC (Presidente Prudente Futebol Clube), o Tricolor da Vila Industrial. O Tricolor mantém as atividades focadas nas categorias de base e, desde 2006, disputa a Segunda Divisão do futebol paulista. Ano passado, a equipe chegou às semifinais do Paulista Sub-20 da 2ª Divisão.

No começo da década de 2000, surgiu o Prudentino Futebol Clube, mas o clube não ficou por muito tempo em atividade. Ainda na primeira década de 2000, surgiu o Opec (Oeste Paulista Esporte Clube), em 2005. A equipe dirigida pelo ex-atleta do São Paulo e seleção brasileira Adriano Gerlin, que também atuou. O time conquistou o título da Segunda Divisão de São Paulo, o último até aqui do futebol profissional prudentino. Entre os destaques da equipe, além de Adriano, estava o centroavante Tarabai, artilheiro naquele ano, hoje no Al-Baten da Arábia Saudita.

Após boa campanha na série A-3 em 2008, a equipe enfrentou uma série de problemas em 2009 quando foi rebaixada da série A-3 e se licenciou. Em 2012, a equipe repassou os direitos e a vaga ao Grêmio Prudente, que participa atualmente das competições das categorias sub-11 até a sub-17 do Campeonato Paulista e da Segunda Divisão profissional.

Antes desta transição entre Opec e gremistas, o futebol prudentino recebeu no ano de 2010 um visitante ilustre. No final do ano de 2009, ainda disputando o Brasileiro da série A, a equipe do Grêmio, então de Barueri (SP), decidiu largar às origens e migrar para Prudente, o que seria oficializada no mês de março de 2010, após o antigo Grêmio já ter realizados alguns jogos no Prudentão. O time foi terceiro colocado no Paulista de 2010, perdendo na semifinal para o time de Santo André (SP). Após amargar dois rebaixamentos seguidos, no Brasileiro de 2010 e no Paulista de 2011, a equipe retornou a Barueri até se encontrar hoje na inatividade.

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