Gavinha: de delegado de polícia a redator na Constituição Federal de 1988

Luiz Antônio Gomes Corrêa, prudentino de coração, faleceu no último domingo, aos 79 anos, vítima de complicações de um câncer avançado do qual estava em tratamento há 7 anos

PRUDENTE - WEVERSON NASCIMENTO

Data 05/12/2021
Horário 06:07
Foto: Cedida
Gavinha atuou como diretor da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo
Gavinha atuou como diretor da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo

Foi sepultado nesta segunda-feira, no Cemitério Municipal São João Batista, o ex-delegado de polícia que atuou representando a classe dos delegados junto à Assembleia Nacional Constituinte, tendo um importante papel nas conquistas da Polícia Civil na Constituição Federal de 1988, Luiz Antônio Gomes Corrêa, o Gavinha, aos 79 anos. Além do ofício policial, o prudentino de coração atuou como ex-secretário municipal de Esportes e de Assuntos Jurídicos e Legislativos de Presidente Prudente, no governo do ex-prefeito Agripino de Oliveira Lima Filho. Conforme informações da família, ele foi vítima de complicações de um câncer avançado do qual estava em tratamento há 7 anos.

Luiz Antônio nasceu em junho de 1942, em Botucatu (SP), e era filho de Ubaldo Gomes Corrêa, considerado como um dos pioneiros da centenária Presidente Prudente e com forte atuação política no município (atuou como vereador, presidente da Câmara e secretário de governo do ex-prefeito Florivaldo Leal), e de Adelaide Tortorella Corrêa, que atuou como professora da Escola Professor Adolpho Arruda Mello e IE (Instituto de Educação) Fernando Costa.

Em 1964, formou-se em Direito na Faculdade de Direito Largo São Francisco, da USP (Universidade de São Paulo), na mesma turma do ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, e do deputado Campos Machado, além de estudar em “arcadas” no mesmo período que o ex-presidente Michel Temer, do qual se tornou um grande amigo.

Após se formar, o jovem advogado chegou exercer a profissão ao lado do tio, o também advogado Waldemar Faria Motta, em Presidente Prudente. Contudo, em março de 1969, Luiz Antônio ingressou na carreira de delegado de polícia no estado de São Paulo, considerado à época como um dos delegados mais jovens do Brasil. Por sorte ou destino, sua primeira região administrativa de atuação foi a de Presidente Prudente. Na capital do oeste paulista, inclusive, chegou atuar como delegado seccional de polícia.

Com o passar dos anos, Luiz Antônio atuou representando a classe dos delegados junto à Assembleia Nacional Constituinte, ao lado de outros colegas, tendo um importante papel nas conquistas da Polícia Civil na Constituição Federal de 1988, em particular os artigos 144 e 241. Inclusive, o texto 144, segundo os familiares, foi escrito por ele e entregue na mão do relator constituinte da época, o ex-deputado Bernardo Cabral. O artigo promulga que a segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, sob a égide dos valores da cidadania e dos direitos humanos, através dos órgãos instituídos pela União e pelos Estados.

No ofício profissional, Luiz Antônio também chegou a ser chefe da Polícia Civil na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), em meados de 1989/90, na presidência do deputado Tonico Ramos; atuou como diretor da ADPESP (Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo); foi professor da Acadepol (Academia de Polícia do Estado de São Paulo); além de ser condecorado, através do deputado Luiz Antônio Fleury Filho, como delegado de polícia classe especial.

Atuação politica
Em 1992, após compreender que já tinha feito o máximo dentro da carreira, Luiz Antônio decidiu se aposentar do ofício policial e retornar para Presidente Prudente, cidade que sempre amou. Na capital do oeste paulista, decidiu se candidatar vereador, cadeira Legislativa que acabou assumindo, mas foi convidado pelo ex-prefeito Agripino de Oliveira Lima Filho – eleito pela primeira vez em 1993 – para ser secretário municipal, oportunidade que conquistou após o reconhecimento do seu intelecto e expertise por parte do ex-chefe do Executivo.

À época, Luiz Corrêa foi diretor de trânsito, e, posteriormente, presidente da antiga Amepp (Autarquia Municipal de Esportes), hoje nomeada como Semepp (Secretaria Municipal de Esportes). Como presidente da Amepp, o ex-delegado de polícia deixou um grande legado ao reformular a autarquia. Na ocasião, ele reestruturou o Complexo Aquático do Centro Olímpico de Presidente Prudente, que atualmente presta homenagem póstuma a Antônio Macca, além de promover pela primeira vez o aquecimento das águas olímpicas da cidade.

Neste período, Luiz Antônio também investiu em potenciais humanos, reformulando escolinhas esportivas, além de conquistar atletas de outras regiões para competir por Presidente Prudente. Um deles, segundo a família, é o ex-atleta medalhista olímpico e atual secretário de Esporte, André Domingos.

Em 1998, após Agripino Lima ser eleito deputado estadual, Luiz Corrêa ocupou o cargo de chefe de gabinete do professor na Alesp. Posteriormente, o sentimento fraterno que Agripino mantinha pela cidade de Prudente o levou a pleitear a direção da Prefeitura em 2001, sendo eleito para o mandato 2001/2004. Nesta época, Luiz ocupou o cargo de secretário municipal de Assuntos Jurídicos e Legislativos.

Dentre as contribuições frente à pasta, estava o auxílio na defesa da ordem e respeito à coisa pública, contra aqueles que “atuavam na destruição de propriedades particulares; a estruturação de uma equipe de Assuntos Jurídico para o município; além da participação ativa na criação da Cidade da Criança, um grande legado da administração do político Agripino Lima. Ainda em Presidente Prudente, Luiz Antônio chegou atuar como professor de Direito Penal da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).

Com o passar dos anos, um episódio trágico na família marcou muito a vida de Luiz Antônio, que foi o falecimento do filho caçula, Marcos Gomes Corrêa, em 2005, vítima de um acidente de trânsito no perímetro urbano de Presidente Prudente. Após o ocorrido, segundo a família, o aposentado se tornou mais recluso e “abandonou a vida pública”.

O filho e médico, Tadeu Gomes Corrêa, diz que recorda com carinho todas as coisas que o pai fez por ele ao longo da vida. “Ele era um pai muito atendo na educação dos filhos e de uma forma afetuosa. Eu tenho muito orgulho do meu pai, da pessoa que ele foi, do caráter e honestidade que ele teve”, explica. “O meu pai deixou um legado de amor a cidade Presidente Prudente”, acrescenta.

Já o filho e administrador de empresas, Lucas Gomes Corrêa, diz que o pai sempre foi um exemplo a ser seguido, além de ser um chefe de família muito responsável. “Agradeço a Deus por ter sido filho do meu pai, por tudo que eu aprendi com ele e pela pessoa erudita que ele foi. Eu o amo imensamente”.

Além dos filhos, Luiz Antônio Gomes Corrêa deixa a esposa e professora, Diva Silva Gomes Corrêa, natural de Presidente Venceslau. O casal se casou em Presidente Prudente em 1976.

 

Fotos: Cedidas


Formatura de Direito ao lado dos pais


Os três delegados de polícia representando a classe na Assembleia Nacional Constituinte


Entrega do artigo da Constituição na mão do relator, deputado Bernardo Cabral

 

 

 

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