HRCPP realiza neurocirurgia com paciente acordado

Procedimento permite o melhor controle para que não ocorram déficits motores e da linguagem

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 04/04/2021
Horário 04:12
Foto: AI do HRCPP
Equipe utilizou tablet para mostrar imagens e solicitou que paciente fosse reconhecendo-as
Equipe utilizou tablet para mostrar imagens e solicitou que paciente fosse reconhecendo-as

Nesta semana, o HRCPP (Hospital Regional do Câncer de Presidente Prudente) realizou a chamada “awake craniotomy” ou “craniotomia acordada” em um paciente de 34 anos com um tumor no cérebro. A instituição realiza atendimentos somente para pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). Em relação ao tratamento dos cânceres, alguns procedimentos mais elaborados requerem investimento em equipamentos de alta tecnologia não previstos pelo SUS. Sabendo disso, a instituição custeia cerca de 60% dessas abordagens com recursos de doação, como foi o caso dessa neurocirurgia.
Mesmo diante da suspensão de procedimentos eletivos em razão da falta de insumos no mercado e da redução dos atendimentos ambulatoriais por orientação da Vigilância Sanitária, o HRCPP continua trabalhando para oferecer o melhor tratamento possível para os pacientes da instituição.
Segundo Rodrigo Ferrari, neurocirurgião responsável pelo procedimento, a técnica já é utilizada no mundo todo há algum tempo e, ultimamente, vem sendo mais empregada para lesões que ficam próximas às áreas importantes do cérebro, principalmente a área da fala e a área motora. “O paciente é anestesiado e, durante o procedimento, retira-se a anestesia, extuba-se o paciente e ele passa a conversar com a equipe. Dessa forma, há um melhor controle para evitar déficits motores e da linguagem”, explica o neurocirurgião.
No procedimento realizado no HRCPP, a equipe utilizou um tablet para mostrar algumas imagens e solicitou que o paciente fosse reconhecendo-as, de modo que o neurofisiologista identificasse as atividades cerebrais durante o procedimento e orientasse o neurocirurgião.
Além disso, foi utilizado o neuronavegador, um aparelho que mostra ao cirurgião, durante a cirurgia, exatamente onde está localizado o tumor, por meio do exame de ressonância magnética realizada antes da cirurgia. “É como se fosse um GPS a nos guiar durante o procedimento”, acrescenta o médico.

Segurança ao paciente

Rodrigo Ferrari pontua que trata-se de uma técnica que traz enorme segurança ao paciente e que só é possível através da atuação da anestesiologista Mariana Takaku, junto ao neurocirurgião e ao neurofisiologista Adriano de Paula Galesso. Além destes, participaram do procedimento o neurocirurgião Felipe Gaia e a equipe de residentes do departamento.
“Graças ao empenho da diretoria do nosso hospital, tivemos a oportunidade de contar com um neurofisiologista que veio especialmente para essa cirurgia e monitorizou o paciente durante todo o procedimento”, afirma o médico.
Por fim, o neurocirurgião compartilhou que o procedimento ocorreu muito bem. “O paciente se encontra em boas condições e, mesmo possuindo uma lesão próxima a todas essas estruturas importantíssimas, ele saiu sem nenhuma sequela. É mais um benefício que o Hospital Regional do Câncer de Presidente Prudente busca disponibilizar para nossos pacientes”, acrescenta Rodrigo.

Foto: AI do HRCPP

hospital regional do câncer de presidente prudente realiza craniotomia acordada
Rodrigo: “Técnica traz enorme segurança ao paciente”

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