Meu Amigo Edward

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista que mora no sistema solar

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 08/06/2021
Horário 05:30

Vocês que leem estas mal digitadas linhas têm algum amigo chamado Edward? Pois eu tenho. Aliás, tive. É que o meu amigo Edward já foi embora deste insensato mundo. Ele partiu fora do combinado, como diz o Rolando Boldrin. Edward, apelidado de Divo, passou para o lado do mistério e, penso eu, apenas os iluminados podem desvendar esse mistério.
Os documentos do Divo não deixavam margens para dúvidas: era Edward e não Eduardo. Nome de rei da Inglaterra. Edward era meu amigo de infância ou mais do que isso: ouso dizer que era meu amigo de fraldas, pois nos conhecíamos desde tenra idade.
Convivemos um tempão, da infância à fase adulta. As travessuras de moleques, como brincar de mocinho e bandido (os faroestes estavam na moda no cinema), os gibis do Durango Kid e do Tarzan, as paqueras, o grupo escolar e os bailes nos fins de semana preenchiam as nossas vidas na época da inocência.
Bons tempos aqueles. Depois, fui para São Paulo. Eu era "artista" da Rádio Piratininga e, nas férias, retornava "às raízes". Gostava de percorrer os bairros rurais de Mariápolis, na Alta Paulista. E quem me acompanhava? O meu amigo Edward. Nem sempre ele estava disposto a ir comigo, mas eu insistia e lá íamos de carro pelas estradas empoeiradas.
Os bairros já não eram mais os mesmos de antes. Houve o êxodo rural. A maioria dos moradores deixou de tocar roça e se estabeleceu nas cidades. Não havia mais bailes aos sábados e, com poucos  bebuns habituais, os botecos não resistiram e fecharam as portas.
A parada nos botecos era obrigatória para molhar o bico com água que pintassilgo não bebe. Era cerveja para mais de litro e não abríamos mão - nem o pé - de uma cachacinha para quebrar o gelo. Se vigorasse a lei seca em estrada vicinal, o jeito seria chamar o charreteiro. O périplo pelos bairros era para matar a saudade de uma época - ou talvez de um Brasil - que o vento levou. Acabou e ficou a saudade. 
Além do meu amigo Edward, não poderia deixar de citar outros Edwards e, de cara, menciono o pintor e artista gráfico Edward Hooper, que retratou com talento o cotidiano dos americanos. 
Outros dois Edwards famosos são Edward Kennedy Ellington e Edward Kennedy. O primeiro é o grande jazzista Duke Ellington e o segundo é o senador Teddy Kennedy. Os dois tinham o mesmo prenome e o mesmo sobrenome. Eles deixaram sua marca no mundo.
Quem também deixou sua marca no mundo foi o ator Edward G. Robinson, romeno que emigrou para os EUA. Ficou famoso com os filmes de gângsteres e teve um papel destacado em “Os Dez Mandamentos”, o filmaço de 1956 em que Charlton Heston interpreta Moisés (o bebê na cesta era filho de Heston). 
E o “Edward Mãos de Tesoura”? É o filme em que o ator Johnny Depp interpreta esse personagem de contos de fadas. Detalhe: foi o último filme do Vincent Price, ator que se destacou em filmes de terror e dava gargalhadas sinistras.
Por falar em terror, vou convidar Edward Mãos de Tesoura para visitar o Brasil. Sua missão será cortar as asinhas de certas figuras sinistras que tomaram de assalto o poder em Brasília, fazendo o povo sofrer mais do que a mãe do porco-espinho na hora do parto.
 
DROPS

Não confunda Amai-vos uns aos outros com Armais-vos uns contra os outros.

É como diz a cozinheira: "Não confunda alhos com bugalhos".

Da discussão nasce a luz. Por isso, não se preocupe com apagões, discuta cada vez mais.

Na bandeira vermelha a conta de luz dá choque no consumidor.
 

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