OAB de Prudente dá sequência a projetos de inclusão

Iniciativa mais recente permite que advogados com deficiência visual possam usar com autonomia, por meio de um programa nos computadores, a sede da ordem

PRUDENTE - GABRIEL BUOSI

Data 09/04/2021
Horário 04:02
Foto: Cedida
Projeto dá maior autonomia aos profissionais com deficiência
Projeto dá maior autonomia aos profissionais com deficiência

A 29ª Subseção da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Presidente Prudente, com o objetivo de promover e zelar pelo cumprimento das normas e institutos jurídicos pertinentes às pessoas com deficiência, e também com um olhar ao próximo, implantou a segunda fase do projeto de acessibilidade e inclusão para os advogados da região. É que recentemente, com o apoio e iniciativa do advogado Carlos Eduardo Nunes, que é deficiente visual, um programa específico para este público foi instalado nos computadores da OAB, com o objetivo de facilitar o uso das plataformas por parte daqueles que não possuem a visão ou possuem apenas parte dela.
De acordo com o presidente da 29ª Subseção da OAB de Presidente Prudente, Wesley Cotini, a unidade já tinha dado início a um processo de adequação para a acessibilidade, quando foram feitas mudanças no acesso ao auditório e também para o acesso aos banheiros, processo esse que agora ganhou uma nova etapa. “Recentemente, o Carlos foi até a nossa sede, acredito que para fazer uma certificação digital, para peticionar, e conversando com ele falamos sobre acessibilidade”. 
Foi nesse momento, segundo Wesley, que o próprio advogado Carlos indicou, e instalou, o programa destinado aos deficientes visuais, para computador, que possui os comandos por áudio. “Achei o máximo a ideia e é este o caminho que queremos seguir, o da acessibilidade. Por isso, já estou em conversa com outros advogados para saber como dar sequência nas demais ações”. 

“Achei o máximo a ideia e é este o caminho que queremos seguir, o da acessibilidade
Wesley Cotini

Novidade traz autonomia

O advogado Carlos Eduardo Nunes tem 30 anos, advoga desde 2015 e relata que, em parâmetros médicos, tem uma cegueira considerada como total, em que enxerga apenas vultos. O profissional afirma que nasceu prematuro, quando ainda tinha seis meses, e que teve sua retina do olho queimada, algo irreversível, depois que foi colocado em uma incubadora e não teve os olhos vendados. Sobre a escolha da profissão, afirma que a experiência no início foi “desafiadora”, como ele próprio classificou, visto que na época a tecnologia não estava em alta e não havia tanta acessibilidade, como livros digitais ou processos eletrônicos.
“Sempre fui uma pessoa que gosta de estudar e a tecnologia vem me favorecendo nesse sentido, pois de um tempo para cá, 90% dos processos são digitais, os livros também são digitais, e isso me ajuda muito, assim como o programa instalado na OAB, que transforma o que é visual em áudio e me permite ler processos e atuar na minha profissão com autonomia”, salienta. Ele finaliza ao dizer que essa atitude é muito relevante, e parabeniza a OAB de Prudente “por toda a gentileza e cuidado com nossas ideias e propostas”.

Veja também