Sentenciados de unidades subordinadas à Croeste (Coordenadoria de Unidades Prisionais da Região Oeste) têm a oportunidade de se especializar em cursos técnicos profissionalizantes por meio do Projeto Classe Descentralizada. As aulas ocorrem através de termo de cooperação entre o Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza e a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) via Funap (Fundação Professor Doutor Manoel Pedro Pimentel).
Na Penitenciária Silvio Yoshihiko Hinohara de Presidente Bernardes, por exemplo, os presos iniciaram no mês passado o curso técnico em Administração. As aulas são ministradas diariamente em uma sala no Pavilhão Escolar, onde a reportagem foi autorizada a acompanhar como são feitas as atividades. O curso tem duração de 12 meses e é executado pela Etec (Escola Técnica Estadual) Professor Adolfo Arruda Mello, de Presidente Prudente.
Emerson Roberto Quirino Muniz, diretor de Trabalho e Educação da unidade, explica que, devido à pandemia, as aulas ocorrem por ensino remoto, via roteiros de estudo impressos que são encaminhados aos estudantes. Durante a semana, eles estudam os conteúdos, enviam aos professores, que devolvem com um feedback. No começo do curso foram ofertadas 20 vagas, todas preenchidas. No entanto, devido a duas transferências, conta com 18 alunos. De acordo com Emerson, a cada três dias de aulas, o preso tem remição de um dia na pena.
Foto: Roberto Mancuzo - Emerson explica como funciona o curso técnico
“Eles aprendem RH [Recursos Humanos], conta juros, marketing, toda a rotina administrativa de uma empresa”, afirma. Para que o reeducando esteja apto a participar do curso, não basta apenas ensejar a vaga, mas estar preso naquela unidade por pelo menos um ano e meio, e ter concluído o terceiro ano do ensino médio.
A busca pela participação no projeto é consideravelmente alta, conforme afirma Marcos Antonio da Silva Bueno, auxiliar do diretor de Trabalho e Educação. “Alguns cursos estão parados por conta da pandemia, mas aos poucos estão sendo retomados. A procura é muito grande”, afirma.
Foto: Roberto Mancuzo - Bueno afirma que a procura é “muito grande”
Segundo o diretor geral da Penitenciária de Presidente Bernardes, Everson Gardenal, o projeto e demais cursos oferecidos aos presos são oportunidades para que eles tenham uma perspectiva positiva no futuro.
“Gera uma expectativa muito boa para que quando ele estiver do lado de fora, tenha alguma coisa para fazer”, considera. A mudança depende do sentenciado, e já deve começar dentro da penitenciária. De acordo com o diretor geral, o tempo em que os presos estão em cárcere pode ser ocupado com conhecimento e serviço que são ofertados.
Gardenal analisa que projetos de ressocialização são tendências no Estado, algo que vem crescendo com o decorrer dos anos.
“Antigamente não se ouvia falar em cursos. Hoje, está diferente. Infelizmente, por conta da pandemia tivemos uma redução na quantidade, mas esperamos que em breve possamos retomar os trabalhos e inserir o sentenciado para que tenha oportunidade de campo de trabalho”, salienta.
Foto: Roberto Mancuzo - Everson Gardenal, diretor geral da penitenciária
Além da Penitenciária Silvio Yoshihiko Hinohara de Presidente Bernardes, na região da Croeste, o projeto Classe Descentralizada também é desenvolvido na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, Paraguaçu Paulista, Florínea e Assis.
Foto: Roberto Mancuzo - Aulas ocorrem diariamente no Pavilhão Escolar
SAIBA MAIS