Qual a estrutura oferecida aos deficientes na eleição?

A chefe de cartório Letícia diz que existe atendimento adequado para todo o público com necessidades especiais, e “como novidade, em 2020 algumas escolas contarão com intérprete em Libras”

Eleições - OSLAINE SILVA

Data 28/10/2020
Horário 07:39
Cedida - Camila faz questão de exercer seu direito de voto
Cedida - Camila faz questão de exercer seu direito de voto

Para atender as pessoas com deficiência nos dias de votação, a Justiça Eleitoral precisa adotar uma série de cuidados em relação à acessibilidade. Letícia Macoratti de Castilho, chefe de Cartório Eleitoral da 402ª ZE (Zona Eleitoral) de Presidente Prudente, informa que existe um atendimento adequado para todo o público com necessidades especiais. Para tanto, todos os locais de votação contarão com apoio denominado “coordenador de acessibilidade”, devidamente treinado. 
“Como novidade, no pleito de 2020 algumas escolas contarão com intérprete em Libras [Língua Brasileira de Sinais]. Além de termos aumentado o número de seções especiais, todas as urnas são acessíveis. Fizemos campanha para que o eleitor procurasse o cartório para especificar sua deficiência a fim de que votasse em local adequado. Mas, pode ocorrer uma deficiência superveniente, e teremos também atendimento a fim de que o eleitor possa exercer o seu direito ao voto”, expõe Letícia.
A chefe de cartório orienta que no dia da votação essas pessoas compareçam preferencialmente entre 7h e 10h, com calma e tranquilidade, porque o direito à acessibilidade será respeitado. Para mais informações sobre o assunto, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) tem disponível em seu site a Cartilha Voto Acessível com todos os detalhes https://www.tre-sp.jus.br/eleitor/acessibilidade/cartilha-voto-acessivel. Nesta cartilha, todos que tiverem interesse podem conhecer as providências tomadas para que a Justiça Eleitoral paulista consiga garantir o exercício do voto aos seus eleitores, independentemente de restrição de mobilidade ou deficiência.

O DIREITO À ACESSIBILIDADE SERÁ RESPEITADO
Letícia Macoratti de Castilho

Estrutura depende do local de votação

Dentre várias pessoas com alguma deficiência que participam ativamente das eleições, a reportagem falou com a jornalista Camila Mancini, deficiente física, que expôs seu ponto de vista de acordo com a sua condição de cadeirante. Segundo ela, as dificuldades estruturais dependem muito do local de votação da pessoa, pois existem escolas na cidade que, infelizmente, ainda não têm acessibilidade, principalmente na hora da entrada. Ou, no seu caso, para se acomodar na urna.
“A cadeira não cabe no espaço e para eu conseguir votar preciso ficar de lado. O que é desconfortável. A mesma coisa ocorre no momento da assinatura. Esse ano eu estava toda feliz achando que seria assinatura digital [risos]... Mesmo na Escola Municipal João Sebastião Lisboa, onde eu voto, que graças a Deus é toda adaptada, tem uma rampa legal, é toda uniforme, não é íngreme, mas lá dentro tem essas dificuldades”, expõe Camila.
Apesar disso, a jornalista reconhece que a evolução ao longo dos anos pelo menos na escola foi muito grande, pois, além de votar ali, que é perto de sua casa, ela estudou lá da 1ª a 4ª série e, na época, não existia nada, nada de acessibilidade. 

Acessibilidade em um todo

“Não adianta só pensar na acessibilidade externa, mas também dentro de cada sessão. No preparo dos mesários no atender essas pessoas com deficiência também. Digo isso, porque numa das últimas eleições que votei, minha mãe precisou me levar até a urna e uma das mesárias se dirigiu até minha mãe achando que eu não falava [risos]. Eu, então, expliquei a ela que minha mãe só estava me acompanhando por limitações físicas, de acomodação na hora de colocar minha cadeira para assinar e votar”, complementa a jornalista.

Arquivo
acessibilidade no dia da votação em presidente prudente
Letícia orienta que no dia da votação deficientes compareçam, preferencialmente, entre 7h e 10h

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