Reflexões sobre a Páscoa

OPINIÃO - Saulo Marcos de Almeida

Data 16/03/2021
Horário 09:40

Falar sobre Deus é falar sobre o desejo. 
Desejo do corpo
Amor, Deus é amor.  


          O tempo acelera a proximidade das celebrações da Páscoa cristã/2021. 
          Aconteceu, neste último fim de semana, o quarto domingo quaresmal de reflexão e adoração em torno dos acontecimentos que antecedem a paixão e a ressurreição de Jesus Cristo. 
          Sobre esses eventos fundamentais na história da cristandade deve-se acrescentar, no propósito de esclarecer e elucidar, todo o processo misterioso e abençoador da salvação. 
Páscoa cristã vai além da sexta-feira
          A cruz não é a última palavra da história de Jesus. Também não é, nem aparentemente, o estado terminal do projeto de Deus na vida. A cruz é a realização concreta e integral de um projeto eterno de amor de um pai e Seu filho em favor do ser humano e toda a criação. 
          Nem tão pouco, a derradeira pergunta ao Pai, encerra o processo de salvação dos homens: Deus meu, Deus meu para que me abandonaste?
          Na questão levantada por Cristo observa-se, não o desabafo de um desesperado e ressentido com o seu destino, irremediável na direção da morte. Mas, entendida a pergunta na correta interpretação do texto, o que se vê é o filho resignado a caminho do futuro na busca do sentido pleno do que ainda estava por se revelar: depois da cruz, a ressurreição há de chegar! Após a morte a vida há de nascer e continuar. 
          Uma fé que não atravessa a Sexta-Feira Santa não é capaz de celebrar a plena Páscoa cristã. Um Deus que não experimenta a morte não pode vivenciar e prometer, sobretudo, a vida.

Páscoa cristã é a celebração do corpo ressurreto de Cristo e a esperança de vida para toda a humanidade – Creio na ressurreição do corpo, creio na ressurreição da vida! 
           A identidade cristã, católica e protestante, tem no evento histórico da ressurreição de Jesus, um dos momentos mais importantes da sua espiritualidade. No túmulo vazio do Cristo ressuscitado encontra o significado de sua fé e labor para testemunhar a cristandade aos povos. 
            No processo deste testemunho a comunidade cristã se compromete com o serviço na direção dos corpos que sofrem todo o tipo de limitação e dor abastecendo-se de amor e plena esperança em forma de inclusão e tolerância, até que Cristo venha!
           Assim e, plenamente ressuscitado ao terceiro dia (domingo), os discípulos o reconhecem quando ele parte o pão, Maria o identifica quando seu nome é chamado e Tomé o distingue pelas feridas nas mãos.
           Hoje nós O encontramos na criança em pleno desenvolvimento de sua infância; no corpo sofrido do pedinte no semáforo de nossa cidade; no repartir do pão que a todos oferece indistintamente ainda que em pandemia. Jesus é o nosso corpo, Ele sofre conosco!
          Creio na ressurreição do corpo de Cristo e por isso o confesso em palavras. 
          Palavras para serem comidas pelo corpo e que nascem, sobretudo no coração do homem que crê. Não tanto do passado, mas do presente onde o mundo, o corpo (corporeidade) e o Espírito aguardam uma enorme sinfonia de uma nova criação. 

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