Sesc Thermas exalta estética e história  dos penteados da população negra 

Com ilustrações e vídeo, atividade usa as redes sociais para explicar que o cabelo é símbolo de ancestralidade e poder 

VARIEDADES - DA REDAÇÃO

Data 06/06/2021
Horário 07:00
Bruna Bandeira, ilustradora e pedagoga que desenhou para os cards do projeto
Bruna Bandeira, ilustradora e pedagoga que desenhou para os cards do projeto

Certamente, você já ouviu falar em Black Power, não é mesmo? Símbolo de luta e resistência da população negra nos EUA dos anos 1960. Mas, e em Trança Nagô, Box Braids, Ghana Braids, Fulani e Lemonade Braids? Esses também são alguns dos penteados afros muito comuns e repletos de significados.  Por isso, o Sesc Thermas de Presidente Prudente realiza esta semana uma ação online que visa evidenciar essa história. “Meu Cabelo, Minha Identidade” é composto por uma série de cards ilustrados e uma produção em vídeo do tipo reels, que serão publicados no perfil da instituição no Instagram nesta terça e quarta-feira, dias 8 e 9/6, respectivamente. 
A coordenadora de programação cultural do Sesc Thermas, Ana Paula Ambrósio, explica que o objetivo é levar ao público a história e significado por trás de cada tipo de cabelo e penteado usado como símbolo de negritude. "São símbolos estéticos de ancestralidade e poder que carregam, muitas vezes, conteúdo político, como é o caso do cabelo crespo volumoso, moldado com o pente garfo, dando forma ao que chamamos de Black Power, que se popularizou como um dos símbolos de resistência política de grupos que lutavam pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos dos anos 1960, entre eles, os Panteras Negras", explica ela. 
Toda a produção dos materiais de "Meu Cabelo, Minha Identidade" foi feita por mulheres pretas, desde a pesquisa à confecção.  
Na sequência de cards, por exemplo, que apresenta a variedade de tipos de cabelo e penteados, além de contextualizar sua história, a pesquisa e os textos são feitos por Fabiana Alves, que é natural de Salvador (BA), mas reside em Presidente Prudente desde 2015. Ela é formada em Pedagogia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e, atualmente, aluna do Programa de Pós-graduação em Educação da mesma instituição, no qual desenvolve uma pesquisa voltada para as relações étnico-raciais e de gênero.  
As ilustrações são feitas por Bruna Bandeira, também pedagoga. De São Paulo, em 2012 criou a Imagine e Desenhe, página que tem foco em assuntos como aceitação, racismo e saúde mental.  
Já no vídeo reels, que traz um dos penteados apresentados nos cards, quem demonstra é a trancista Lisie Alves, que trabalha com tranças e dreads em Presidente Prudente desde 2010. Seu trabalho, de acordo com ela, "busca através da estética crespa firmar a identidade negra, reconhecer a ancestralidade capilar e trazer referências africanas como reflexo de inspiração cotidiana, autoestima e autoconhecimento". 
Essas atividades do Sesc Thermas fazem parte do projeto “Do 13 ao 20 - (Re)Existência do Povo Negro”, ação institucional promovida pelo Sesc SP que propõe diálogos sobre a condição social da população negra e faz alusão às datas históricas do 13 de maio (Lei Áurea, que marca a abolição da escravatura no Brasil) e do 20 de novembro (Dia da Consciência Negra). 
“Vivemos num país multiétnico e multicultural, e promover ações que colaborem para debater o racismo e desmistificar estereótipos comumente relacionados à população negra são fundamentais na ação educativa em Diversidade Cultural do Sesc”, define Ana Paula Ambrósio.

Fotos: Cedidas

 

Fabiana Alves desenvolveu a pesquisa e textos do projeto

 

 

 

 

 


 

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