15 de agosto de 2013 às 08h10 - Editorial
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Deslocamento causa desgaste e transtornos aos pacientes do SUS

A situação tem incomodado e causado muitos transtornos aos usuários. Afinal, isso torna o procedimento mais demorado, além do desgaste físico e até financeiro, com alimentação, por exemplo.

 

Viajar mais de 100 quilômetros para realizar exames como endoscopia, raio-x-constratados, esôfago, estômago. Essa é a realidade de vários usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), atendidos pelo Ambulatório Médico de Especialidade (AME), que precisam dos serviços em Presidente Prudente.

Nossa cidade, ao invés de receber a população de cidades menores, considerando que pelo seu tamanho e número de habitantes deveria ser o pólo de atendimento, tem “exportado” pacientes para cidades como Dracena e Porto Primavera.

A situação tem incomodado e causado muitos transtornos aos usuários. Afinal, isso torna o procedimento mais demorado, além do desgaste físico e até financeiro, com alimentação, por exemplo.

O Departamento Regional de Saúde de Prudente justifica que o SUS é regionalizado e que o departamento possui três hospitais referências, por isso, os encaminhamentos são realizados de acordo com o tipo de exame. Ainda segundo o órgão, alguns deslocamentos são realizados com o intuito de minimizar o tempo de espera.

O ideal seria que cada hospital “referência” realizasse todos os tipos de exame e atendesse os pacientes da cidade, assim como dos municípios mais próximos. Além disso, esse serviço deveria ocorrer no tempo adequado, sem que usuários precisassem ser deslocados para reduzirem a espera.

A crise do SUS, sem dúvida, é ainda mais ampla que a “exportação” de pacientes para a realização de exames. Porém, trata-se um problema que tem gerado prejuízos à população e não deve ser minimizado.

Quem já precisou dos serviços de um hospital público sabe como é o atendimento, salvo raras exceções. A infraestrututa é precária, faltam equipamentos e materiais hospitalares e médicos se queixam que ganham pouco. São seriamente afetados profissionais e instituições que prestam serviços ao SUS, sempre mal remunerados e, muitas vezes, sem condições mínimas de trabalho.

Porém, com certeza a maior defasagem do SUS é a demora no atendimento. Quase que diariamente são registrados exemplos de pessoas que têm de aguardar meses por uma consulta, exame ou por um tratamento. Essa é realidade de um sistema de saúde, onde quem mais precisa é quem tem o menor acesso aos serviços.

É lamentável que, décadas após sua criação, o SUS ainda apresente problemas tão sérios.

Atendimento médico de qualidade à população é obrigação do Estado. Os usuários pedem socorro. Espera-se que uma reestruturação do programa ocorra com urgência e que lacunas, como ao deslocamento de pacientes para a execução de exames, acabem.