Apneia do sono: uma doença silenciosa que cresce no Brasil 

OPINIÃO - Priscila Kalil Morelhão

Data 09/01/2026
Horário 05:30

Roncar alto, acordar cansado ou sentir sono excessivo durante o dia não devem ser encarados como algo normal. Esses sinais podem indicar apneia obstrutiva do sono, um distúrbio respiratório que vem aumentando de forma expressiva na população brasileira e que está diretamente associado a doenças graves.
Um estudo recente realizado em São Paulo, o EPisono (Estudo Epidemiológico do Sono) trouxe dados alarmantes: mais de 37% da população adulta apresenta apneia do sono. Em comparação com levantamentos anteriores, houve um crescimento significativo da prevalência, refletindo mudanças importantes no perfil da população, como o envelhecimento e o aumento do sobrepeso e da obesidade.
Embora a apneia seja mais frequente em homens, atingindo cerca de 45% deles, cerca de 30% das mulheres também convivem com esse distúrbio de sono. Fadiga persistente, insônia, dor de cabeça ao acordar, alterações de humor e dificuldade de concentração são queixas comuns no público feminino e, muitas vezes, não são associadas diretamente à apneia obstrutiva do sono.
Com o envelhecimento, a prevalência aumenta tanto em homens quanto em mulheres. Em pessoas acima dos 60 anos, mais da metade apresenta o distúrbio, o que amplia os riscos de complicações cardiovasculares e metabólicas justamente em uma fase da vida mais vulnerável.
Durante os episódios de apneia, a respiração é interrompida repetidas vezes ao longo da noite, provocando quedas nos níveis de oxigênio e fragmentação do sono. Esse processo desencadeia um estado contínuo de estresse no organismo, aumentando o risco de hipertensão arterial, infarto, AVC, diabetes, alterações cognitivas e acidentes, especialmente devido à sonolência diurna.
Apesar da frequência alta e das consequências importantes, a apneia obstrutiva do sono ainda é pouco reconhecida pela população. Muitas pessoas se adaptam ao cansaço crônico e não buscam avaliação, pensando que se trata de algo normal. Os dados do Episono reforçam que identificar precocemente o problema e iniciar o tratamento adequado pode reduzir riscos, melhorar a disposição diária e preservar a saúde ao longo dos anos.
A apneia do sono não é um problema individual, mas um desafio de saúde pública que exige informação, diagnóstico e acesso ao cuidado especializado.

Referência 
Tufik S, Porcacchia AS, Pires GN, Andersen ML. Prevalence and Risk Factors for Obstructive Sleep Apnea in São Paulo: Findings from the 4th Edition of the EPISONO Study. Journal of Sleep Research.
 

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