17 de maio de 2017 às 10h48 - Cultura
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Artistas discutem programação da Virada que ocorre em junho

por OSLAINE SILVA-Da Redação

Encontro foi mais para uma conversa, aberta a sugestões, com todos os interessados, para apresentar como o evento está sendo criado

 

Aberto a todos, centenas de artistas de Presidente Prudente lotaram a Sala de Cinema Condessa Filomena Matarazzo, do Centro Cultural Matarazzo, na reunião realizada na segunda-feira por representantes da Secult (Secretaria Municipal de Cultura), para ouvirem as propostas e programação traçada para a Virada Cultural do Centenário, – após falta de parceria do Governo do Estado por meio da SEC (Secretaria de Estado da Cultura) para a Virada Cultural.

Conforme o produtor cultural, Adolfo Tiago Ferreira Lima, que é o coordenador do evento previsto para ocorrer nos dias 3 e 4 de junho, no Parque do Povo e no Matarazzo, o encontro foi mais para uma conversa, aberta a sugestões, com todos os interessados para apresentar um esqueleto de como criaram a Virada.

Sala de Cinema do Centro Cultural Matarazzo ficou lotada na noite de segunda-feira por artistas interessados

Segundo ele, a pasta tentará acatar algumas sugestões, como ampliar a programação, porque assim, com o pagamento de 14 cachês, será feita uma licitação em que a empresa vencedora fará a seleção de acordo com alguns critérios que terão que ser preenchidos, com informações básicas sobre o artista, grupo, banda, etc.

“Tivemos um número expressivo de interessados e como não conseguiremos atender a todos, no edital que foi elaborado, fica claro que não queremos saber quem é o melhor ou o pior, mas nesta primeira edição será contemplado aquele que tem um histórico de trabalho que vem sendo desenvolvido ao longo dos anos”, explica o coordenador.

 

Ideias

Tiago diz que é importante lembrar que não vão conseguir acatar todas as exigências por conta de prazo, de licitação, por exemplo. “Não queremos nos desculpar, mas 99% dos participantes concordaram com o evento nos moldes apresentados e expuseram boas ideias. Uma delas é para o ano que vem ter um palco espelhado para que pessoas que estão entrando no mercado cultural apresentem suas produções… outra ideia é tentar espalhar ao máximo essa programação pela cidade, consequentemente conseguiremos atender mais o público e colocar mais pessoas em evidência”, denota o produtor.

A cada nova decisão, ajuste, fechada a programação, os organizadores divulgarão nos canais da pasta (site, facebook, twitter) e na imprensa local.

Compuseram a mesa, além do coordenador, o secretário municipal de Cultura José Fábio Sousa Nougueira e o assessor da pasta Denilson Biguete.

 

Noite maravilhosa

Dentre vários, umas das representantes do teatro que esteve na reunião é Gisele Galindo. Ela destaca que está com as melhores expectativas para a Virada Cultural do Centenário. Acredita que o governo municipal “acertou em cheio, pois está mais do que na hora de se investir nos artistas da casa, além de fazê-los conhecidos”.

Ela enfatiza que a maior parte da população não conhece a cultura da própria cidade, o que é lastimável. E salienta que é preciso incentivo e conscientização cultural.

“Segundo o secretário municipal, Fábio Nougueira, depois de conversar e refletir com o prefeito [Nelson Bugalho-PTB], decidiu-se pela Virada do Centenário, que tem grandes chances de se tornar um evento anual, provavelmente com outro título. Foi uma noite maravilhosa, com o cinema do Matarazzo lotado! O diálogo aberto foi excelente!”, exclama Gisele.

 

Dança

O professor e bailarino Emerson Euzébio expõe que esse “acidente” de estar passando por essa crise acabou desembocando em aproximação maior entre a secretaria municipal de Cultura e os artistas locais. Conforme ele, a presença em massa dos artistas chamou a atenção.

“Já que temos uma secretaria que se denomina de Cultura e que é responsável também por fomentar, agregar, difundir a arte em nossa cidade, temos mesmo que participar, cobrar, reivindicar. E saber que temos em nossa cidade artistas para compor o evento foi fantástico. Uma boa ideia”, coloca o professor.

Emerson diz que o interessante é que isso também tem uma apreciação de público, entretanto, por esse motivo a secretaria deve ter cuidado com a seleção porque as pessoas não vão comprar tudo. E a “valoração” tem que estar em primeiro lugar.

Emerson entende que é preciso analisar quem são esses artistas, porque merecem ser remunerados, ainda que a gratificação seja pouca, já é um fomento, pois a partir daí podem negociar para ganhar mais nas próximas edições.

E ressalta que algumas falas e discursos de artistas querendo somente o espaço para se apresentar, não dando tanto valor para a remuneração o preocupou. “Eu não sou a favor disso. Temos que ser remunerados sim e cada vez mais porque, no meu caso, sou um profissional e preciso trabalhar para sobreviver através dessa arte. Pago impostos, tenho minhas contas mensais como qualquer outro. Espaço cada um pode ter, vai à praça pública, na feira livre e faça sua apresentação”, acentua.

 

Referências

O bailarino que é respeitado em várias partes do país e em alguns lugares do mundo, percebe que as pessoas estão pensando apenas em ter um currículo com seus nomes vinculados à Virada e, esquecendo a valoração do seu trabalho.

E repete que a secretaria precisa realmente ter o cuidado ao selecionar esses trabalhos porque o público precisa de qualidade dessas apresentações senão o evento acaba perdendo a credibilidade. Ele defende que o artista tem que buscar esses recursos financeiros para que tenham fomento na cidade. E comenta que os projetos GiraArte, Ocupação da Laje foram um pontapé de responsabilidade da secretaria, e que também é preciso entender que isso pode ser revertido para a produção e não apenas de circulação, o que vai gerar mais artistas, um celeiro de produção.

“Futuramente é importante mesclar o evento trazendo artistas de São Paulo, como referência. Coisa que a Virada traz, o Sesc também faz um bom trabalho nisso. Quando assistimos trabalhos nos alimentamos disso, muda nossa capacidade de entender, de leitura, de produção. Trazer dança, música, teatro promove um intercâmbio na valoração da qualidade, do profissionalismo. Estou aberto a isso”, enfatiza.

Emerson completa acentuando que estas são as suas impressões, e acha que a partir daí vá se organizar e todos poderão se alimentar de bons frutos.