Provas adiadas: reflexos da pandemia na aplicação do Enem

Com a nova data da prova adiada para janeiro de 2021, conforme anúncio do Ministério da Educação, representantes regionais entendem que haverá prejuízos aos estudantes

PRUDENTE - THIAGO MORELLO

Data 24/07/2020
Horário 08:01
Agência Brasil - Representações regionais entendem que o preparo em 2020 foi prejudicado Foto: Agência Brasil - Representações regionais entendem que o preparo em 2020 foi prejudicado

Por conta da pandemia do novo coronavírus, as datas de aplicação das provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) precisaram ser alteradas. Sendo assim, na versão impressa, serão aplicadas nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021, e a prova digital ocorrerá nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Contudo, para as representações regionais, as alterações ainda podem refletir em prejuízos para os estudantes inscritos a avaliação.
Por exemplo, em junho, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) fez uma enquete para ouvir os estudantes sobre qual a melhor data para o exame. Para a maioria, ficou decidido que deveria ser em maio de 2021. No entanto, as datas foram transferidas para janeiro. E esse é o principal motivo pelo qual a  Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial Estado de São Paulo) não aprova o cenário, conforme o coordenador regional, William Hugo Correa dos Santos.

Para a maioria, ficou decidido que deveria ser em maio de 2021. No entanto, as datas foram transferidas para janeiro


“Não tem um porquê de terem feito uma pesquisa com os alunos inscritos, se optaram por uma data diferente da que apontaram. Se já estavam decididos, não haveria a necessidade de ouvir os estudantes”, pontua. Desta forma, Willian entende que é dever do sindicato apoiar a decisão dos próprios inscritos.

Acesso à internet

Fora isso, ele lembra que na rede pública, por mais que o EAD (ensino à distância) esteja ocorrendo durante a pandemia, “é preciso lembrar que nem todos têm acesso à internet e às atualizações digitais”. Com isso, por mais que possuam o material pedagógico, a absorção do conteúdo não é a mesma.
E esse posicionamento vai em concordância com o Sindicato das Escolas Particulares de Presidente Prudente. Presidida por Antonio Batista Grosso, a representação entende que a mudança da data em si “não interfere” em nada. “O que vai interferir é o problema da pandemia. Dizer que os alunos tiveram a mesma oportunidade que os demais dos anos anteriores não é verdade”, pontua o presidente.
Para Antonio, mesmo que desde março as escolas particulares estejam persistentes com o ensino remoto, com toda qualidade possível, isso “nunca vai substituir a presença do professor, que sempre tem algo a mais a acrescentar, com a vivência”. Ou seja, mudando ou não a data, os inscritos já estão em prejuízos pelo desdobramento de 2020.

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