Prudente tem saldo negativo de 2.012 vagas de emprego no semestre

Ao longo do ano, o único mês que esteve em alta, com mais contratações que demissões, foi fevereiro; pandemia da Covid-19 piorou o cenário

PRUDENTE - THIAGO MORELLO

Data 30/07/2020
Horário 06:25
Freepik - Segundo economista, home office deve continuar, mesmo pós-pandemia Foto: Freepik - Segundo economista, home office deve continuar, mesmo pós-pandemia

Cerca de dois anos. Esse é o tempo estimado para que os setores de atividade econômica prudentina levem para se recuperar dos prejuízos financeiros acentuados pela pandemia da Covid-19, de acordo com o economista Moisés Martins. Nessa percepção, ele inclui principalmente a questão trabalhista, isto é, do desemprego. O assunto voltou à tona, depois que o Ministério do Trabalho divulgou ontem os dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em relação ao primeiro semestre de 2020. E nesses últimos seis meses, o levantamento revelou que o saldo de Presidente Prudente terminou em -2.012 postos de trabalho.
Os meses não oscilaram entre períodos positivos e negativos, mas permaneceram numa constância crítica, atingindo o ápice em abril. O saldo de janeiro foi de -200, indo para 95 em fevereiro, depois para -327 em março (começo da quarentena) e finalizando o quarto mês com déficit de 959 vagas de emprego. Em maio, continuou no negativo, mas de forma menor que o mês anterior: -692, fechando junho com -19, que ruim ou não, foi o segundo melhor mês do ano. Pelo menos é o que os números indicam.
No total, o semestre teve 7.629 admissões e 9.731 desligamentos. O que é preciso ser explicado é que em todos os meses ocorreram contratações, porém, em quase todos os períodos ofuscadas pela quantidade a mais de demissões.
Mas como dito, ocorreu que o mês de junho ainda conseguiu ser o segundo melhor do ano. Isso mostra, ainda de acordo com o economista, que há uma recuperação em vista, mas “que se move em passos muito, mais muito lentos”. Para ele, “o grande problema” é que o setor de serviços, no qual há mais atuação na cidade, ainda não se recuperou. “Mas esperava-se que fosse pior”, completa Moisés.

Medidas e causas

No início do isolamento social, as empresas que podiam, adotaram o chamado home office, que, de acordo com Moisés, foi o primeiro passo para tentar continuar em atividade e ainda gerar lucro, evitando assim demissões. Mas, com o passar do tempo e a extensão da quarentena, quem não conseguiu conter despesas, ficando assim no prejuízo, ou fez acordos trabalhistas ou demitiu. “Por isso, o pico veio em abril, pois tentaram segurar o máximo possível”, comenta.
Atrelado a isso, o momento gerou uma contenção de gastos, até mesmo de quem não perdeu o emprego, fazendo com que o não essencial parasse de ser comprado. “Outro fator importante quando se analisa essa crise, já que a falta de oferta e demanda impede que a economia gire e, sem produção, não é necessária mão de obra”, frisa.
O que Moisés não deixa de citar é que, apesar de enfrentarmos um problema maior, a pandemia, essa não é a única causa que gera a crise. Ele lembra que o país tem sofrido grandes influências políticas desde julho de 2019, o que também afeta a economia brasileira. “A grande influência foram problemas políticos acentuados, no meio ambiente, por exemplo, e a deficiência financeira do país que já existia”, destaca.

Período de recuperação

Mas ver pequenos passos de recuperação não quer dizer que a situação esteja boa. O economista entende que agora estamos nos recuperando de um certo prejuízo que veio “muito grande, diga-se de passagem”, em cima de tudo isso que tem ocorrido. “É uma melhora bem vagarosa”, reitera. Daí vem o prognóstico de dois anos, para que as coisas “voltem à normalidade”.
Alguns setores o economista analisa que, talvez, a recuperação seja mais rápida, como o de bares e restaurantes. “Pois pensando num cenário em que exista uma vacina ou algo parecido, as pessoas cansadas de ficar em casa vão usufruir ainda mais dos serviços de lazer que podem e da forma que puderem, como se tivessem recuperando o tempo perdido. Digamos até em efeito manada”, considera.
Só que nessa próxima realidade, finaliza Moisés, precisamos entender que nada mais será como antes. O que pode ser feito em perfeitas condições no home office, por exemplo, a tendência é continuar dessa forma. “Não volta 100%”, acredita.

SALDO DE EMPREGOS DO 1º SEMESTRE EM PRUDENTE

Período

Admissões

Desligamentos

Saldos

Variação (%)

Janeiro

1.555

1.755

-200

-0,33

Fevereiro

1.756

1.661

95

-0,33

Março

1.702

2.029

-327

-0,54

Abril

930

1.889

-959

-1,59

Maio

710

1.402

-692

-1,17

Junho

976

995

-19

-0,03

Total

7.629

9.731

-2.102

-3,99

Fonte: Novo Caged

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