Prudente Urbano: redução da frota afeta rotina de usuários

Com a mais recente apreensão da Justiça de 19 ônibus, das 33 linhas que cobriam o serviço na cidade, nove deixaram de operar

PRUDENTE - WEVERSON NASCIMENTO

Data 05/11/2021
Horário 04:15
Foto: Weverson Nascimento
Das 33 linhas que cobriam o serviço na cidade, nove deixaram de operar
Das 33 linhas que cobriam o serviço na cidade, nove deixaram de operar

A situação do transporte público em Presidente Prudente se agrava a cada dia mais. Ao todo, a Justiça já realizou a apreensão de 49 ônibus da Prudente Urbano, diante de entraves que a concessionária possui com instituições financeiras. Com a mais recente apreensão desta terça-feira (19 ônibus), das 33 linhas que cobriam o serviço na cidade, nove deixaram de operar. Tal redução das linhas pegou a população de surpresa e também deu lugar à superlotação. 
Na tarde de ontem, a reportagem se digeriu à Praça Monsenhor Sarrion, no centro de Prudente, para compreender a situação enfrentada pelos usuários do sistema de transporte coletivo da cidade. No local, encontrou a dona de casa Marluce Mendes da Silva, 43 anos, que mora no Jardim Sumaré e foi até o centro resolver coisas do dia a dia. “Hoje [ontem], eu tive que vir a pé para o centro, pois não tinha ônibus. Eu cheguei a ir até o Terminal da Tancredo Neves, mas também não consegui”, explica ela, ao dizer que o percurso de casa até a área central da cidade durou cerca de 45 minutos.  
Marluce espera que a situação seja resolvida pela Prefeitura, uma vez que muitos dos usuários dependem do sistema de transporte para trabalhar. “Para eu que não trabalho já está difícil, imagina para quem trabalha?”, questiona. Ontem, ao ser abordada pela reportagem, ela detalhou que já estava no ponto de ônibus há 40 minutos.
Outra pessoa que teve a rotina comprometida com a redução da frota foi o aprendiz Guilherme Pascoal da Cruz, de 19 anos. Ele conta que reside no Residencial Parque dos Girassóis e precisa pegar dois transportes para chegar até o Parque Residencial Funada, local onde trabalha. “Hoje, um dos ônibus não passou, e eu precisei ir de carona”, explica. “Eu costumo sair do trabalho as 13h e chego em casa às 14h. Já vai dar 16h e não consegui pegar um ônibus. É uma situação bem difícil para quem depende do transporte público”, acrescentou à reportagem no final da tarde. 
A auxiliar de serviços gerais Letícia Cristina do Rosário Santos Oliveira, 29 anos, por sua vez, diz que o ônibus que pega ainda não sofreu alterações, mas tem receio de que sua linha também seja afetada. “Que a Prefeitura consiga chegar a um acordo, afinal, tem muita gente que depende do transporte”, enfatiza. 
A diarista Eliane Aparecida Burani, 48 anos, que reside no Conjunto Habitacional Ana Jacinta e trabalha no centro da cidade, diz que ontem não teve dificuldade em pegar ônibus. Contudo, destaca que diante da redução de outras linhas, muitos usuários se dirigiram até o bairro em que reside para conseguir algum tipo de condução. “O ônibus veio lotado. A gente espera que a Prefeitura faça alguma coisa. A gente depende dessa ajuda”, frisa. 

SAIBA MAIS
Conforme relatou este diário, na terça-feira a Justiça realizou a apreensão de mais 19 ônibus da Prudente Urbano por conta de dívidas que a concessionária possui com instituições financeiras. Em pouco mais de três meses, a empresa que opera o transporte público coletivo em Presidente Prudente teve 49 veículos alvos de busca e apreensão pela Justiça.
Em razão disso, a pretensão do poder público municipal é iniciar a contratação emergencial de uma nova empresa para operar o serviço do transporte coletivo em Prudente, conforme destacou o secretário da Semob (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Cooperação em Segurança Pública), Luiz Edson de Souza. “No entanto, nós temos que cobrir os prazos legais. Até o dia 5 deste mês [hoje], a empresa [Prudente Urbano] tem que se manifestar sobre como e se tem interesse em regularizar a situação do transporte público”, expõe o titular da pasta. 
Segundo Luiz Edson, caso a Prudente Urbano manifeste que não tem interesse em seguir operando o serviço, o processo de contratação emergencial será iniciado de forma imediata. “E se a gente precisar manter o transporte, nós o faremos por meio da continuidade da intervenção para que a situação seja regularizada e mantida até a chegada de uma nova empresa, caso seja contratada”, completa.  

Fotos: Weverson Nascimento


Marluce teve que ir a pé do Jardim Sumaré até o centro da cidade


Guilherme precisou pegar carona para chegar ao trabalho


Letícia: “Espero que a Prefeitura consiga chegar a um acordo”


Eliane enfrentou superlotação após redução de outras linhas

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