29 de abril de 2017 às 10h35 - Prudente
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Grevistas “picham” ofensas em escritório político

por MARIANE GASPARETO-Da Redação

 

Um grupo de militantes que integrou a greve geral de ontem se dirigiu após a manifestação ao escritório político do deputado federal Izaque José da Silva (PSDB), para depredar o espaço, “pichando” ofensas em batom, e lançando ovos crus contra a parede. Palavrões, termos como “traidor”, e a frase “você não respeitou o voto dos prudentinos”, cobriram a imagem do parlamentar apresentada na fachada do escritório, que fica em Presidente Prudente.

Apesar da revolta e aglomeração de pessoas que gerou a confusão, nada foi quebrado no local, segundo a equipe de Izaque. Os ânimos contra o tucano já começavam a se inflamar durante a caminhada realizada pelos manifestantes, pela Avenida Manoel Goulart. Muitos dos que usaram o microfone disponível para fazer pronunciamentos protestaram contra o voto, em meio a gritos de “Fora Izaque”.

Manifestantes pintaram ofensas com batom na fachada do escritório político de deputado

“Em minha opinião, ele fez errado, a população é contra a proposta e ele foi a favor”, afirmou a militante do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Josélia Evaristo, 43 anos. Aloízio Carlos Vieira, 56 anos, que representava o Sindicato dos Bancários de Presidente Prudente e Região compartilha do mesmo pensamento do sem terra. “Ele prejudicou o trabalhador e definitivamente não representou a região, foi ruim ele ter assumido a cadeira como suplente nesse momento”, diz.

 

Motivo do voto

Em entrevista à reportagem, o deputado federal definiu o ocorrido como um ato de vandalismo e invasão de patrimônio privado. A Polícia Militar esteve no local para o registro do boletim de ocorrência e realização de perícia. “Estão ameaçando a minha vida e a da minha família. Respeito à liberdade de expressão, mas isso é violência, terrorismo”, define. Ele esclareceu ainda que votou a favor da reforma por considerá-la “uma proposta que não retira nenhum direito, mas beneficia os trabalhadores e permite maior liberdade, segurança jurídica e simplificação da lei trabalhista”. Entre os principais pontos citados por ele como positivos, está o fato do projeto aprovado acabar com a contribuição sindical obrigatória anual.

“Foram incluídas garantias na proposta ao trabalhador terceirizado. São as mesmas condições de transporte, saúde, higiene e isonomia salarial com os empregados da empresa por convenção coletiva”, afirma Izaque, acrescentando que a mudança inclui milhões de brasileiros que hoje atuam na nova modalidade de teletrabalho, home-office e trabalho remoto, cuja regulamentação se dará adiante por lei específica.

Também é positivo, segundo o deputado, o fracionamento de férias em até três vezes, em caso de concordância expressa do trabalhador; formalização e profissionais que trabalham por diárias como babás, garçons, profissionais de informática, entre outras categorias; regularização de jovens, estudantes, idosos e mulheres que tiveram filho recentemente, que queiram trabalhar meio período com carteira assinada, direitos trabalhistas assegurados e proteção previdenciária.

“A modernização trabalhista agora prevê a regulamentação do dano moral a que muitos trabalhadores estão acometidos. Eles ganham nessa reforma a condição de convergir com o empregador e romper o contrato de trabalho e, ainda, sacar 80% do FGTS [Fundo de Garantia por Tempo de Serviço]”, expõe ainda o tucano. O projeto de lei da reforma trabalhista (PL 6787/16), que altera a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e determina que prevaleça o acordo entre empregado e empregador sobre a legislação vigente, deve ir agora para a apreciação do Senado, após ser aprovada pela Câmara dos Deputados nesta semana.