Empresa investe no beneficiamento completo da batata-doce

Agro Di Souza produz, em média, de 100 a 150 alqueires por ano, beneficiando de 4 a 5 mil caixas diárias do tubérculo; produto sem aproveitamento comercial será transformado em farinha/suplemento

Empresas & Negócios - WEVERSON NASCIMENTO

Data 01/09/2020
Horário 04:00
Weverson Nascimento - Empresa prudentina investe no beneficiamento completo do tubérculo Weverson Nascimento - Empresa prudentina investe no beneficiamento completo do tubérculo Imagem: Weverson Nascimento - Empresa prudentina investe no beneficiamento completo do tubérculo

Uma empresa de cunho familiar se destaca no Distrito de Montalvão, em Presidente Prudente, pelo cultivo da batata-doce e pelo beneficiamento completo da cultura. Hoje, a empresa Agro Di Souza, responsável pela produção, comercialização e exportação do tubérculo, produz, em média, de 100 a 150 alqueires por ano, e se beneficia de 4 a 5 mil caixas diárias de matéria-prima para o mercado nacional e internacional. No ano passado, associada à empresa Marla Export, obteve um volume de 1,5 milhão de sacos para exportação, principalmente para países europeus e sul-americanos. 
Presente no mercado há mais de 30 anos, a empresa aposta na qualidade dos seus produtos e no respeito das condições acordadas com os seus clientes e fornecedores. Criada pelos esforços dos produtores Osvaldo de Souza Rodrigues e Maria Alice Pereira Rodrigues, e hoje acompanhada de perto pelos filhos Elton Pereira Rodrigues e Elisângela Pereira Rodrigues, fez a produção do tubérculo se aperfeiçoar e expandir para outras culturas, como o amendoim e o milho. No entanto, a aposta da batata-doce na época se deu pela oportunidade de produção de uma nova cultura e mercado para pequenos produtores. 
Responsável atualmente pela produção, manejo, comercialização e exportação do tubérculo, a Agro Di Souza tem se destacado em todo mercado nacional e internacional da batata-doce. Recentemente, visando o beneficiamento completo da cultura, que conta com um descarte de 20 a 30 toneladas diárias de produtos que não têm aproveitamento comercial, despertou na empresa o desejo de implantar uma fábrica que será responsável por produzir uma espécie de farinha, que servirá como ração para cerca de 1,2 mil animais próprios em confinamento. “Percebemos que o preço do milho, principal cultura para suplemento animal [ração], vem oscilando no mercado. Então, decidimos tratar do nosso gado com algo que já temos, e com um valor acessível e estável para mantermos. Foi aí que nós tivemos a ideia de produzir uma farinha de batata-doce como um suplemento para o animal”, explica o diretor comercial da Agro Di Souza, José Eduardo Brigatto – marido de Elisângela.
A nova fábrica, portanto, já está em processo de montagem e daqui 90 dias deverá entrar em funcionamento. “Hoje, já há procura pelos Estados Unidos e Holanda para fins alimentícios [consumo humano], mas queremos usar o produto para depois dar seguimento nas vendas, ou seja, saber como trabalhá-lo e qual será o resultado dele. Porém, a ideia é produzir uma matéria-prima para consumo humano e de animais”, complementa o diretor comercial. Desta forma, o empreendimento fecha toda a cadeia de produção e uso do tubérculo. 

Cultura e mercado

Atualmente, a empresa produtora de tubérculos, que é uma das líderes em produção na região, também compra de produtores locais, fazendo com que a economia prudentina se desenvolva – a cidade é considerada a capital da batata-doce. Para se ter uma ideia, no ano passado, Prudente atingiu a média de 40 a 50 mil sacos por mês e, neste ano, a expectativa é chegar a 80 a 100 mil volumes/mês. Tudo isso em decorrência da pandemia do novo coronavírus, que valorizou o consumo do produto. “A pandemia fez com que as pessoas ficassem por mais tempo em casa e consumissem mais”, reforça o diretor. Com esse volume de produção, a empresa mantém hoje 30 postos de trabalho.  
Além de movimentar a economia local, a Agro Di Souza coloca Presidente Prudente em evidência no território nacional e em diversos países. “Hoje, nós produzimos para todo o Brasil. No entanto, há épocas em que a comercialização é maior para determinados Estados, principalmente, pela falta de chuva, que atrapalha a produção da batata-doce. Com isso, eles procuram de outras regiões, inclusive, a nossa, que tem se destacado pelo respeito das condições acordadas com clientes e fornecedores”, destaca José Eduardo. 
Para o mercado internacional, a Agro Di Souza trabalha em sociedade com a empresa Marla Export, marca que também é utilizada fora do país. De acordo o proprietário, Marcos Antônio Berdia Oliveira, a temporada de produção do tubérculo está boa, mesmo diante de fatores climático que afetaram toda a América do Sul. “Começou com muita seca e depois com muita chuva, e tudo isso atrapalhou a produção dos países vizinhos como Uruguai, Paraguai e Argentina. Com esses fatores climáticos, portanto, eles não conseguem atender a demanda de produção durante o ano inteiro e procuram no Brasil, um país que tem qualidade de produto. É assim, inclusive, que eles chegam até a gente”, explica. 
Hoje, a empresa atende diversos países como Argentina, Canadá, Holanda, Portugal e Uruguai, com intenção de expandir negócios também para Berlim, Alemanha. “O mercado de exportação é um diferencial para o produtor da batata-doce, pois agrega muito valor. No ano passado tivemos um volume de exportação de 1,5 milhão de sacos de tubérculos. A expectativa para este ano é ultrapassar essa quantidade, tendo em vista que a exportação começou mais cedo – em julho – quando o comum é começar nos três últimos meses do ano”, complementa. A produção, portanto, segue até meados de janeiro.
Além de beneficiar a renda de produtores e o quadro de colaboradores, a Agro Di Souza, empresa de família acolhedora, também sustenta critérios de qualidade e segurança alimentar, e desenvolve um importante trabalho social ao destinar doações para diversas entidades de Prudente e do Brasil. 

SAIBA MAIS
Além da produção e manejo da batata-doce, a Agro Di Souza tem desenvolvido outras culturas como o amendoim e o milho, oportunidade que tem devido aos maquinários já adquiridos. Recentemente, ficou em 4º lugar no concurso nacional “Colher Mais”, programa desenvolvido pela Timac Agro, com a produção de 721 sacas por alqueire de amendoim na produção 2019/20120. O programa, desenvolvido desde 2016, visa estimular a produtividade dos clientes participantes. A meta para a próxima edição, segundo o diretor comercial, José Eduardo Brigatto, é ocupar o primeiro lugar em produção da cultura. 

Fotos: Weverson Nascimento

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